ISSN 2183 - 3990       

Relações afetivas pais-filhos e autonomia adolescente: o encontro dos paradigmas da vinculação e da psicanálise

 

Relações afetivas pais-filhos e autonomia adolescente: o encontro dos paradigmas da vinculação e da psicanálise

Affective relationships parent-children and adolescent autonomy: the meeting of the linking paradigms and psychoanalysis

José Virgílio Gouveia Baltasar[1]* / José Carlos Gomes da Costa**

* Investigador Colaborador do Centro de Investigação em Estudos Regionais e Locais da  Universidade da Madeira, Portugal; ** Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Universidade, Vila Real, Portugal.

 

 

RESUMO

A literatura tem discutido a importância das relações afetivas entre pais e filhos no desenvolvimento da autonomia adolescente, considerada uma das tarefas desenvolvimentais basilares desta etapa do ciclo vital. O presente trabalho pretende explorar o tema através do cruzamento dos paradigmas da Vinculação e da Psicanálise, bem como discutir algumas implicações para a intervenção psicológica com os adolescentes e seus pais.

Palavras-chave: vinculação aos pais, relações objetais, autonomia, adolescência, intervenção psicológica

 

 

ABSTRACT

The literature has developed the importance of relations between parents and children in the development of adolescent autonomy, considered one of the basic developmental tasks of this stage of the life cycle. This paper aims to explore the theme through the intersection of the paradigm of Attachment and Psychoanalysis, and also discuss some implications for psychological intervention with adolescents and their parents.

Keywords: attachment to parents, object relations, autonomy, adolescence, psychological intervention

 

 

INTRODUÇÃO

Atualmente, a psicologia do desenvolvimento já constitui uma área de estudo mais vasta do desenvolvimento humano, que abarca todo o curso de vida, da conceção à morte. Foi sobretudo a partir dos anos 60 e 70 do século XX que o desenvolvimento humano começou a ser abordado e discutido numa perspetiva global do ciclo de vida. O desenvolvimento, apesar de ser mais evidente na infância, ocorre ao longo da vida (Papalia & Feldman, 2011; Vandenplas-Holper, 2000). Nesta perspetiva, um crescente número de investigadores, baseados nos paradigmas da psicanálise e da vinculação, têm vindo a estudar as relações afetivas[2] em fases desenvolvimentais posteriores à infância, designadamente na adolescência (Allen, 2008; Palombo, Koch, & Bendicsen, 2009; Papalia & Feldman, 2011). Paralelamente, diferentes referenciais teóricos, designadamente os modelos da psicanálise e da vinculação, identificam o processo de autonomia face aos pais como uma das tarefas desenvolvimentais mais importantes da adolescência e significativamente influenciada por fatores familiares, designadamente as relações afetivas entre pais e filhos (Allen, 2008; Goldbeter-Merinfeld, 2008; Noom, Dekovic, & Meeus, 2001; Onnis, Bernardini, & Veglia, 2008; Spear & Kulbok, 2004). Porém, são poucos os artigos que procuraram comparar e discutir de forma crítica as principais comunalidades ou divergências entre as perspetivas teóricas referidas (Blum, 2004). Este é o assunto central do presente trabalho que se encontra organizado em quatro partes. Num primeiro momento explora-se o conceito de adolescência numa perspetiva integrativa e descreve-se os princípios básicos da teoria da vinculação demonstrando de que forma os vínculos precoces influenciam o funcionamento intra e interpessoal do adolescente e o seu processo de autonomização. Numa fase posterior, discute-se o processo de autonomia adolescente na perspetiva psicanalítica e analisa-se a relação entre esta tarefa desenvolvimental e as relações de afeto entre adolescentes e pais, cruzando os paradigmas da Vinculação e da Psicanálise. Por fim, nas considerações finais, são discutidos alguns aspetos relativos à intervenção psicológica no âmbito da autonomia adolescente. Com este trabalho esperamos contribuir para a compreensão concetual do tema, bem como apoiar todos aqueles que trabalham com adolescentes e que invariavelmente acabam por deparar-se, direta ou indiretamente, com o assunto aqui tratado.

 

Adolescência: uma definição possível

Em alguns casos, como o português, até ao fim do primeiro quartel do séc. XX, entendia-se que o indivíduo passava diretamente da infância à idade adulta sem transitar por uma fase intermediária, a adolescência, com características próprias no plano desenvolvimental. Atualmente, a adolescência é reconhecida como uma etapa do ciclo vital, situada algures entre a infância (o indivíduo depende totalmente dos pais) e a adultícia (o indivíduo é capaz de cuidar de si próprio). À semelhança do que acontece com outros períodos do desenvolvimento humano, a definição de adolescência inscreve-se em modelos concetuais distintos que por mais diferentes que possam parecer, não podem ser considerados como domínios independentes, mas antes como perspetivas teóricas que se complementam e se esclarecem umas às outras. Este reconhecimento teórico multifacetado da adolescência torna evidente a necessidade de se considerar múltiplos fatores para explicar os processos desenvolvimentais desta fase (Papalia & Feldman, 2011; Sprinthall & Collins, 2008; Steinberg & Lerner, 2004). Resumidamente, os fatores inerentes às mudanças que ocorrem na adolescência são de ordem física (puberdade: o indivíduo atinge a maturidade sexual e a capacidade de reprodução), cognitiva (os sujeitos adquirem um raciocínio formal ou metacognitivo que lhes permite funcionar a níveis mais elevados de compreensão e interação intra e interpessoal) e psicossocial (reorganização da relação do indivíduo com a família e com o meio extrafamiliar - os pares - de forma a permitir a construção de uma autonomia e identidade sólida) (Brown, 2004; Collins & Laursen, 2004; Keating, 2004; Papalia & Feldman, 2011; Sprinthall & Collins, 2008; Susman & Rogol, 2004). Não é uma tarefa simples precisar os marcadores etários da adolescência. Embora o início desta fase esteja vinculado às primeiras manifestações da puberdade, o final encontra-se bem menos demarcado porque depende de fatores de natureza mais incerta, nomeadamente, dos fatores socioculturais (ex.: o fim dos estudos, a independência económica, a idade da maioridade, etc.) e psicoafectivos (ex.: a consolidação da identidade, a capacidade de estabelecer relações íntimas, etc.). De um modo geral, podermos dizer que a adolescência decorre entre os 10 e os 18 anos de idade (Arnett, 2010; Papalia & Feldman, 2011). Não obstante a natureza multidisciplinar inerente à concetualização da adolescência, as diversas perspetivas teóricas consideram consensualmente o processo de autonomização uma das tarefas desenvolvimentais basilares da adolescência (Goldbeter-Merinfeld, 2008; Noom et al., 2001; Onnis et al., 2008; Papalia & Feldman, 2011; Spear & Kulbok, 2004). Por outro lado, e reflexo da teorização pluridisciplinar do período adolescente, constata-se igualmente uma forte ambiguidade na concetualização do constructo “autonomia”. Com efeito, consoante a teoria adotada, verificam-se ênfases em fatores de carácter mais biológico, psicológico ou social no desenvolvimento da autonomia (Noom et al., 2001; Spear & Kulbok, 2004). Ainda assim, uma análise detalhada e crítica desta diversidade teórica do processo de autonomia evidencia um ponto comum: todos os fatores envolvidos proporcionam uma transformação no sistema familiar, mais precisamente na expressão das relações pais-filhos (Goldbeter-Merinfeld, 2008; Noom et al., 2001; Onnis et al., 2008; Spear & Kulbok, 2004). Esta visão integrativa expressa a importância de compreender a autonomia adolescente numa abordagem ecológica ou em diversos contextos de desenvolvimento (do indivíduo ao macrossistema/padrões culturais), considerando porém o sistema familiar o espaço contextual privilegiado para o desenvolvimento desta tarefa.

 

Teoria da vinculação: da infância à adolescência

No contexto da relação pais-filhos, Bowlby (1990) define o comportamento de vinculação como qualquer forma de comportamento manifestado pela criança que tem como principais funções a manutenção da proximidade desta com os pais, a proteção do perigo e a indução de um sentimento de segurança. Os comportamentos vinculativos tendem a ativar-se em situações de desprazer (ex.: fome, situações desconhecidas, ausência do cuidador) e desativar-se quando a criança sente e tem o conhecimento de que a figura de vinculação está disponível e responsiva, concedendo um sentimento de segurança. Em consequência do desenvolvimento da permanência do objeto ou de competências “puramente simbólicas” (Bowlby, 1990, p. 278), a criança desenvolve a capacidade de aceitar a separação cada vez mais prolongada da figura de vinculação e o comportamento de vinculação passa a ser ativado com menos frequência e intensidade a partir deste período. Ao longo da adolescência a dimensão representacional adquire igualmente um valor central no processo de vinculação: o pensamento e a linguagem (o conversar) tornam-se meios privilegiados de manter a proximidade e um sentimento segurizante com a figura de vinculação (Bowlby, 1990).

 

Embora estritamente interligados, Bowlby (1990) distingue os conceitos de vinculação e de comportamento de vinculação. Enquanto o comportamento vinculativo se encontra mais associado a uma dimensão interativa entre pais e filhos, mediante um comportamento observável que se ativa e desativa consoante as determinantes situacionais, a vinculação encontra-se mais associada a uma dimensão cognitiva (ou aos modelos internos dinâmicos, como veremos adiante) ou à capacidade de um indivíduo simbolizar a relação que tem com os pais, e que persiste no tempo e no espaço. Porém, parece-nos importante sublinhar a estreita ligação existente entre a vinculação e o comportamento de vinculação. Ambas as componentes coexistem, isto é, nascem, desenvolvem-se e reformulam-se ao longo do tempo de forma interdependente. Com base na perspetiva bowlbyana (Weiss, 2002), existem diversos indicadores para a existência de uma relação de vinculação na infância. A vinculação pode manifestar-se de três modos: a) pelo sentimento segurizante que, em princípio, a figura de vinculação proporciona à criança e pela vontade de esta permanecer na sua companhia; b) pela procura de proximidade com essa figura, em situações stressantes; e c) pela perturbação que gera a separação (ou ameaças à separação) da figura de vinculação e pelo contentamento que resulta da reaproximação (subsequente à separação ou às ameaças) com essa mesma figura. As diferenças e semelhanças nas relações de vinculação, consoante a fase do ciclo de vida em que são estabelecidas, também têm sido interesse de estudo. Segundo Sable (2008), Weiss (2002) e West & Sheldon-Keller (1994), diversos estudos verificaram empiricamente a presença dos indicadores de vinculação infantil estabelecidos por Bowlby nas relações afetivas juvenis, demonstrado que o sistema de vinculação dos jovens se assemelha ao das crianças quanto às suas formas de expressão. Em contrapartida, também se encontram diferenças entre a vinculação dos jovens adultos e a das crianças. Genericamente, as relações de vinculação nos jovens distinguem-se das relações de vinculação infantis porque: a) são simultaneamente complementares [relações estabelecidas entre quem recebe cuidados (jovem) e quem os oferece (cuidador) e recíprocas (relações estabelecidas entre pares]; b) na eventualidade de serem extremamente perturbadas por situações diversas (ex.: morte, divórcio ou outro tipo de separação definitiva, etc.), o jovem tem mais recursos para procurar segurança noutros cuidadores; c) incluem relações de natureza sexual; e d) a ativação dos comportamentos de vinculação dependem de acontecimentos stressantes mais intensos, pois o desenvolvimento do pensamento formal, nesta fase, permite pensar sofisticadamente a figura de vinculação e vivenciar, em princípio, um sentimento de segurança, mesmo na sua ausência física.

Segundo Bowlby (1990) o sistema comportamental exploratório está diretamente envolvido na relação de vinculação pais-filhos. Este sistema é constituído por diversos comportamentos emitidos por um sujeito (ex.: distanciar-se da figura de vinculação) que têm como função última conduzi-lo à familiarização com ambientes desconhecidos. O sistema é ativado por estímulos associados à novidade e é desativado por estímulos relacionados com a familiaridade. Assim, o sistema exploratório promove a aprendizagem e o contacto com o ambiente relacional (incluindo outras pessoas que não apenas a figura de vinculação). Ainsworth (1967) introduziu o conceito de “base segura” para explicar que a obtenção de um sentimento de segurança por parte da criança junto do seu cuidador, tenderá a promover na primeira um comportamento de exploração harmonioso do mundo que a rodeia. Esta premissa, que sugere que os vínculos seguros potenciam a ativação do sistema comportamental exploratório, tem vindo a ser demonstrada empiricamente em todas as etapas desenvolvimentais, nomeadamente na adolescência (Allen, 2008). De facto, o paradigma da vinculação tem como tese principal que a relação entre pais e filhos, durante os primeiros tempos de vida, influencia o funcionamento posterior intra e interpessoal das pessoas, ao longo de todo o ciclo de vida (Bowlby, 1993).

Bowlby (1993) defende que são os modelos internos dinâmicos que organizam cognitiva e afetivamente a informação proveniente das experiências relacionais que decorrem ao longo do desenvolvimento humano. Bowlby (1993) adiciona à sua teoria o conceito de modelo interno dinâmico para descrever a representação mental e afetiva que cada criança constrói acerca de si própria, das suas figuras de vinculação e do mundo. Deste modo, o modelo de si corresponde à perceção que a criança tem de si própria enquanto merecedora de amor, suporte e atenção e do quanto “aceitável ou inaceitável ela é, aos olhos das suas figuras devinculação.” (Bowlby, 1993, p. 222). Analogamente, o modelo do outro, configura-se através da perceção da criança sobre quem são as “suas figuras de vinculação, onde podem ser encontradas e como respondem” (Bowlby, 1993, p. 221), ou seja, a ideia que a criança tem acerca da responsividade e da acessibilidade do cuidador para lhe prover apoio, proteção e amor. Assim, um modelo interno de si e do outro com uma valência positiva corresponderia a um vínculo seguro, e um modelo interno de si e do outro com uma valência negativa corresponderia a um vínculo inseguro. Os modelos internos dinâmicos reconstroem-se nas experiências relacionais entre a criança e as suas principais figuras de vinculação, tornam-se menos propensos a grandes mudanças ou transformações à medida que o sujeito se vai desenvolvendo, permanecendo estáveis ou cristalizados ao longo da vida, e influenciam de modo não consciente as relações interpessoais do indivíduo ao longo do ciclo vital (ex.: relações pais-filhos, relações de amizade, relações romântics, etc.) (Bowlby, 1990, 1993; Collins & Read, 1994; Maier et al., 2004; Pietromonaco & Barrett, 2000). Por outro lado, as relações de vinculação estabelecidas na adolescência e na adultícia constituem uma possibilidade dos modelos internos precoces serem revistos ou atualizados; contudo, é improvável que esta revisão surta profundas alterações nos modelos internos arquitetados na infância (Collins & Read, 1994). Esta visão de estabilidade dos modelos internos dinâmicos vai de encontro à tese de Bowlby e tem recebido validação empírica (Sibley & Overall, 2008; Sroufe, 2005). Esta estabilidade ou continuidade das representações da vinculação, todavia, não constitui necessariamente uma fatalidade. Como foi referido, os modelos internos dinâmicos revelam alguma plasticidade às diversas etapas desenvolvimentais e às modificações na qualidade das relações de vinculação, sobretudo durante o desenvolvimento infantojuvenil (Bowlby, 1990, 1993; Collins & Read, 1994; Maier et al., 2004; Pietromonaco & Barrett, 2000). Assim, fica-nos a ideia de que há uma tendência para a continuidade dos modelos internos dinâmicos precoces ao longo do desenvolvimento, ou seja, a relação de vinculação entre pais e filhos não sofre alterações significativas ao longo da vida, caso as condições relacionais permanecerem estáveis (Collins & Read, 1994). E é neste sentido que se defende a ocorrência de uma mudança ou transformação na expressão da relação pais-filhos (ex.: distanciamento físico) e não uma mudança ou transformação na qualidade da relação (modelos internos dinâmicos) propriamente dita entre pais e filhos. São vários os fatores que podem contribuir concomitantemente para a transformação da expressão da relação pais-filhos durante a adolescência, no que concerne por exemplo ao contacto físico (Papalia & Feldman, 2011). Note-se que os fatores biológicos (a capacidade de sentir desejo ou atracão sexual devido à maturação sexual), os cognitivos (o pensamento reflexivo torna o meio familiar insuficiente e o meio extrafamiliar uma fonte de apoio para responder às interrogações do adolescente) e os sociais (a sociedade ocidental encoraja a emancipação dos indivíduos à tutela parental) conduzirão a um distanciamento físico normativo entre pais e filhos nesta etapa do desenvolvimento.

 

Autonomia adolescente: a interpretação psicanalítica

Peter Blos foi pioneiro na descrição da autonomia adolescente como um processo de separação-individuação ou separação psicológica e o seu paradigma teórico continua a ser uma referência consistente na psicanálise atual (Palombo et al., 2009) e tem recebido validação empírica (Baltasar, 2011; Costa, 2006; Leondary & Kiosseoglou, 2000; Rice, FitzGerald, Whaley, & Gibbs, 1995). Segundo Blos (1967, 1985) este processo de separação psicológica refere-se a um paradoxo intrapsíquico que se inscreve na necessidade concomitante do adolescente, na relação com os pais, querer permanecer, em certa medida, criança, e por outro lado desejar autonomizar-se e tornar-se adulto. O propulsor deste paradoxo psicológico é o luto da infância (o processo de separação), e é através da elaboração desta perda (que implica necessariamente diversas transformações na expressão da relação afetiva pais-filhos) que o adolescente se tornará um indivíduo autónomo e diferenciado (processo de individuação), isto é, um adulto. O luto da infância envolve dois trabalhos de luto basilares e interdependentes por parte do adolescente: a) o luto dos imagos parentais e b) o luto do “eu” infantil. Comecemos por descrever o primeiro ponto. As crianças têm necessidade de criar a ilusão de que os cuidadores possuem uma espécie de invulnerabilidade, permitindo-lhes vivenciar uma sensação de segurança omnipotente e omnipresente. Sem esta idealização, o ser humano pequeno sentir-se-ia sistematicamente desamparado. As transformações físicas e cognitivas típicas da adolescência forçam a criança a reconhecer que se tornou um indivíduo mais parecido aos pais (ex.: os adolescentes tornam-se fisicamente tão ou mais fortes que os pais). Em consequência destas transformações, o adolescente desenvolve um sentimento de “ser tão crescido ou grandioso como os pais” e começa a desidealizar ou a desmontar a invulnerabilidade de outrora (“os meus pais já não podem “tudo” e já não são “tudo”); um sentimento de deceção é quase inevitável. A desidealização é sobretudo um processo de “humanização” dos pais. Paralelamente ao processo de desidealização dos pais, decorre o luto do “eu” infantil. Na infância, pais e filhos têm uma interação marcada por diferentes comportamentos de amor (ex.: abraços e beijos desmedidos) que não têm qualquer ambiguidade. Contudo, em resultado da maturidade sexual, esses comportamentos perdem o carácter inocente que lhes é característico, obrigando o adolescente a um certo afastamento dos pais e a abandonar as gratificações da infância (ex.: cuidados parentais tipicamente infantis; os pais assumem a responsabilidade total das consequências inerentes aos comportamentos dos filhos, etc.).

Os processos de luto da adolescência supramencionados, a desidealização dos pais e a renúncia aos prazeres do mundo infantil, tornam os pais incapazes de fornecer a totalidade de satisfações que o adolescente necessita. Com efeito, parte das satisfações advêm da esfera extrafamiliar (ex.: estabelecimento de relações amistosas e amorosas, integração do indivíduo em grupos políticos, idealização de pessoas mais velhas, como professores, líderes da juventude, etc.). Embora o “vazio” deixado por ambos os lutos seja preenchido pela procura de substitutos externos, é importante ressaltar que a matriz familiar e extrafamiliar têm funções específicas, não se substituem e ambas contribuem para o desenvolvimento do adolescente (Blos, 1967, 1985). De facto, e paradoxalmente, é na vontade manifesta do adolescente em afastar-se do meio familiar que a necessidade do mesmo se faz sentir. Por outras palavras, o adolescente vivencia uma necessidade simultânea de dependência e de separação em relação aos pais. Este paradoxo acontece porque todos os comportamentos de autonomia que são desejados pelo adolescente são simultaneamente fonte de insegurança e ansiedade (ex.: o desejo do adolescente em afastar-se do controlo parental, procurando espaços fora da esfera familiar onde exerce novas capacidades, como decidir sozinho ou viver como e de acordo com o que pensa e ambiciona, envolve igualmente estar mais sozinho e ter mais responsabilidades). Todo o indivíduo se identifica principalmente com os pais e em particular com o progenitor do mesmo sexo e, em menor medida, com o meio relacional externo. Os fenómenos de identificação, mais precisamente o objeto de identificação, estão intrinsecamente ligados ao processo paradoxal supradito e ganham uma dinâmica fundamental para a sua compreensão. Neste contexto, entende-se por objeto de identificação, a identificação do “eu” (adolescente) a um objeto (pais); ou seja, é um mecanismo mediante o qual o adolescente impregna seletivamente ou não diversos atributos dos pais (Palombo et al., 2009). Assim, este trabalho de identificação inserido no paradoxo descrito faz com que o adolescente precise de se separar e diferenciar daquele com quem tem necessidade de se identificar. A resolução equilibrada desta ambivalência passa pela capacidade do adolescente em se identificar parcial ou totalmente com os pais, todavia, sem nunca renunciar aos seus desejos, às suas escolhas, aos seus ideais, enfim, à sua singularidade (Blos, 1967, 1985).

Segundo Blos (1967, 1985), as experiências infantis do adolescente são determinantes na resolução do segundo processo de separação psicológica. As perspetivas pós-freudianas (Greenberg & Mitchell, 2003; Palombo et al., 2009), designadamente a teoria das relações objetais, pressupõem que as pessoas desenvolvem-se pela e para a relação. De acordo com esta teoria, as relações objetais precoces são transformadas em representações mentais; o indivíduo ao longo da sua ontogénese não internaliza apenas o objeto de amor ou o cuidador, mas sim a natureza (positiva e negativa) da relação inteira. O desenvolvimento normal do indivíduo necessita que a qualidade positiva da relação objetal predomine no seu mundo interno ao longo do ciclo vital. Deste modo, as relações objetais internas precoces “estão ligadas a qualidades emocionais que têm uma permanência notável na vida consciente e inconsciente do ser humano“ (Blos, 1985, p. 21) e “acabam por constituir o terreno sobre o qual se baseia o senso de identidade” (Blos, 1985, p. 20).

De tudo isto podemos concluir que o luto da infância é o verdadeiro “motor” do processo de autonomização do adolescente em relação aos pais (processo de separação-individuação) e que este é um fenómeno intimamente interdependente da formação identitária e subsequentemente do acesso à adultícia. A elaboração da separação psicológica tem como função última capacitar o adolescente de um sentimento de liberdade interna para separar-se e diferenciar-se ou divergir dos pais sem culpabilidade e angústia, e ainda assim poder identificar-se com estes, construir uma identidade e por conseguinte tornar-se um adulto, ou noutros termos, tornar-se “uma pessoa que é pai e mãe de si própria” (Dias & Bravo, 2002, p. 139). Por fim, a qualidade da concretização do processo de autonomia aos pais dependente significativamente da qualidade das relações objetais precoces.

 

Autonomia adolescente: o encontro entre o modelo da vinculação e o modelo psicanalítico

Atendendo a toda a revisão teórica feita até ao momento, torna-se impreterível discutir sumariamente as principais comunalidades e complementaridades entre as diferentes perspetivas teóricas expostas. As comparações entre paradigmas distintos são sempre processos redutores e delicados, uma vez que qualquer teoria só pode ser totalmente compreendida e interpretada na globalidade do referencial em que se insere. No entanto, tais equiparações permitem fazer emergir pontos de vista convergentes e, assim, refinar a inteligibilidade das premissas teóricas basilares do nosso trabalho.

Entrelaçando a teoria da vinculação com a teoria psicanalítica, podemos sugerir que uma das tarefas basilares da adolescência é a concretização da autonomia em relação aos pais (separação-individuação) ou a intensificação do sistema comportamental exploratório. Os pais tornam-se figuras com os quais os adolescentes mantêm simultaneamente comportamentos de vinculação e comportamentos exploratórios ou com os quais o adolescente estabelece um paradoxo relacional que se caracteriza pelo desejo concomitante de continuar, em certa medida, ligado aos cuidados parentais característicos do período da infância e identificar-se sobretudo com o progenitor do mesmo sexo, e por outro lado, uma vontade de libertar-se da vigilância parental, diferenciar-se dos pais e tornar-se um adulto com uma identidade própria e única. Em consequência desta necessidade de emancipação, as relações do adolescente com os pares ou figuras extrafamiliares tornam-se um espaço de contenção indispensável. É de frisar que apesar da analogia feita entre a separação-individuação e o comportamento exploratório, é sabido que estes dois fenómenos são considerados processos de autonomização distintos, na medida em que o primeiro se concretiza num plano mais interno ou mental e o segundo num plano mais externo. Por outro lado, são igualmente processos interdependentes ou paralelos, porque a separação-individuação constitui um pré-requisito fundamental para que o comportamento exploratório seja ativado; isto é, é como se de alguma forma a autonomia fosse primariamente mental e só posteriormente física e, deste modo, o comportamento exploratório constituísse um indicador de que a separação psicológica está a decorrer (“ Eu, filho, não sinto que estou a trair ou abandonar os meus pais ou que estes possam deixar de amar-me, enfim, sinto-me em paz comigo próprio, apesar de nesta fase da minha vida eu desejar explorar o mundo e sem a presença constante deles”).

O desenvolvimento do processo de autonomia depende significativamente da qualidade das relações de vinculação ou das relações objetais entre pais e filhos. A qualidade das relações de vinculação ou das relações objetais, constrói-se sobretudo na infância e influenciam o desenvolvimento psicossocial do indivíduo de forma não consciente ao longo do ciclo de vida. É esperado que um vínculo seguro ou uma relação objetal positiva potencie a ativação do sistema comportamental exploratório ou o processo de separação-individuação na adolescência. Não há portanto, nesta perspetiva, desvinculação ou rutura das relações objetais entre pais e filhos, mas sim uma diminuição significativa dos comportamentos de vinculação ou um luto do universo infantil. Noutros termos, os jovens só se separam psicologicamente dos pais ou adotam comportamentos exploratórios, mantendo laços afetivos harmoniosos (vínculos seguros ou relações objetais positivas) com as figuras parentais; separar-se e diferenciar-se dos outros, mais precisamente em relação aos pais, não significa estar só afetivamente. Atendendo à distinção concetual de Bowlby (1990) entre a vinculação e o comportamento de vinculação, consideramos mais coerente considerar que na adolescência ocorre uma diminuição significativa do comportamento de vinculação, ao contrário do que é expresso no modelo de dupla hélice do desenvolvimento psicológico formulado por Fleming (2005), que prevê uma diminuição da vinculação durante esta fase desenvolvimental.

 

Considerações finais

 

Este trabalho apoiou-se na teoria da vinculação preconizada por Bowlby e no referencial teórico psicanalítico de Peter Blos para compreender o processo de autonomia adolescente, sem descurar as principais comunalidades e complementaridades entre as diferentes perspetivas teóricas expostas. A investigação demonstra que as relações afetivas entre pais e filhos influenciam determinantemente a autonomia do adolescente em relação aos pais. Entende-se por autonomiaa capacidade do indivíduo em explorar, familiarizar-se e adaptar-se a situações novas e por conseguinte satisfazer as suas diversas necessidades. Ou seja, é um processo de separação-individuação; a separação remete para afastamento do que é familiar ou conhecido e a individuação remete para apropriação do novo ou desconhecido e a transformação do indivíduo numa pessoa distinta das outras.

Segundo Cichetti e Rogosch (2002) e Fourez (2008) diversas formas de perturbação mental na adolescência podem surgir devido à dificuldade, quer do adolescente quer dos pais, em lidar com o processo de autonomia adolescente. Por conseguinte, torna-se clara a necessidade de implementar políticas de saúde (Berlin, Zeanah, & Lieberman, 2008) que visem salvaguardar e promover relações afetivas seguras entre pais e filhos desde a infância (ex.: treino de competências parentais), bem como a necessidade da intervenção psicológica junto de famílias com filhos adolescentes que já se encontram em sofrimento devido à dificuldade com que se deparam na gestão do processo de separação-individuação. Sendo a adolescência um período desenvolvimental (Collins & Read, 1994) que se caracteriza por implicar um processo de revisão e atualização dos modelos internos dinâmicos (manutenção ou transformação da representação mental das experiências de vinculação infantis consoante as condições relacionais), parece-nos ser uma fase do ciclo vital bastante oportuna e de grande importância para a intervenção psicológica.

A intervenção psicológica ao nível do contexto intrafamiliar deverá promover uma comunicação clara e aberta entre pais e filhos no sentido de estes poderem identificar e refletir sobre as configurações familiares que estão a interferir no sentimento de segurança do jovem e subsequentemente a impedir o desenvolvimento da sua autonomia (Delage, 2008). As configurações familiares que se opõem à autonomia relacionam-se frequentemente com a forma como os pais e os filhos percecionam e elaboram essa tarefa desenvolvimental (ex.: os pais podem regredir e o adolescente pode tornar-se o cuidador dos seus próprios pais e de outros membros da família; a autonomia pode ser vivida como uma perda, quer pelos pais quer pelo adolescente, etc.) (Fleming, 2005). De acordo com Delage (2008) é a partir dessa intervenção de consciencialização do funcionamento familiar que são definidas as mudanças que a família entende como necessárias e desejáveis, e que vão desde as simples alterações de rotinas familiares às alterações no exercício das funções parentais. De forma genérica e independentemente da sintomatologia apresentada pela família, o objetivo psicoterapêutico é de que o adolescente desenvolva a consciência do seu funcionamento interno e desenvolva as competências necessárias para se autonomizar e, por outro lado, os pais compreendam o significado pessoal da autonomia do filho nas suas vidas e aceitem a sua individuação.

 

Numa intervenção psicológica predominantemente individual e com o adolescente parece-nos fundamental que o psicólogo funcione como uma “base segura”, sendo responsivo e sensível, de forma a incutir confiança e apoiar o jovem a explorar e a reconstruir os modelos internos dinâmicos do eu e dos outros significativos (figuras parentais) do seu passado e do presente. É de referir que esta relação terapêutica de confiança e segurança funcionará como um novo “espelho” que devolve uma imagem positiva ao jovem, visto que as reações do psicólogo (a contratransferência terapêutica ou cuidada) serão diferentes (ou seja, reparadoras) das que foram experimentadas com as figuras parentais (Slade, 2008; Stürmer & Castro, 2009).

 

Referências

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[1] A correspondência relativa a este artigo deverá ser enviada para: José Virgílio Baltazar, Investigador Colaborador do Centro de Investigação em Estudos Regionais e Locais da  Universidade da Madeira, Funchal, Portugal E.mail: (This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it. )

Submissão: 23.02.2015

Aceitação: 29.07.2015

[2]A literatura (Greenberg & Mitchell, 2003; Palombo et al., 2009) demonstra  que o termo “relação afetiva” é concetualmente semelhante às expressões “vinculação” e “relações de objeto”. Esta aproximação concetual será explicada ao longo do trabalho.

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