ISSN 2183 - 3990       

A Aprendizagem Cooperativa na prática independente do método instrução direta. Benefícios psicológicos, académicos e sociais

A Aprendizagem Cooperativa na prática independente do método instrução direta. Benefícios psicológicos, académicos e sociais

 

The Cooperative Learning in the independent practice of the direct Instruction method. Psychological, academic and social benefits

Laura Guedes*[1] / Maria Helena Santos Silva*,** / José Pinto Lopes*,**

*Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal; **CIIE – Centro de Investigação e Intervenção Educativas da Universidade do Porto

 

 

 

 

 Resumo

Os resultados da pesquisa sobre a eficácia dos métodos de ensino permitem determinar o impacto que diferentes métodos têm na aprendizagem dos alunos. Entre os mais eficazes encontra-se a Instrução Direta. Por outro lado, a literatura é também inequívoca sobre os benefícios psicológicos, académicos e sociais da Aprendizagem Cooperativa. Com base nestes pressupostos, desenvolveu-se um estudo cujo objetivo foi verificar a perceção dos alunos sobre os benefícios sociais, académicos e psicológicos do trabalho em grupo cooperativo, que vivenciaram durante a prática independente do método instrução direta.

Participaram no estudo 21 alunos de uma turma do 5º ano de escolaridade de uma Escola EB 2,3, do distrito de Vila Real, Portugal, que trabalharam cooperativamente, na fase de prática independente do método Instrução Direta nas aulas de Ciências Naturais, Matemática e História e Geografia de Portugal. Os dados foram recolhidos mediante a aplicação da Escala de Benefícios da Aprendizagem Cooperativa (EBAC) (Lopes, Silva & Rocha, 2014) e de um questionário composto por duas questões abertas sobre a importância que atribuíam à aprendizagem cooperativa na sua aprendizagem.

Os resultados obtidos permitiram verificar que a totalidade dos alunos reconheceu ter tido benefícios importantes a nível cognitivo, psicológico e social.

Palavras chave: Instrução Direta; Aprendizagem Cooperativa; Benefícios Psicológicos, Académicos e Sociais.

 

 

 

 Abstract

Search results on the effectiveness of teaching methods allow to determine the impact that different methods have on student’s learning. Among the most effective is the Direct Instruction. On the other hand, the literature is also unequivocal on the psychological, academic and social benefits of Cooperative Learning. Based on these assumptions, we developed a study aiming to verify the perception that students have about the social, academic and psychological work in cooperative group, which they experienced during independent practice of direct instruction method.

The participants were 21 students of a 5th grade class at Escola EB 2,3, in the district Vila Real, Portugal, who worked in independent practice of the Direct Instruction method cooperatively in Nature Science, Mathematics and History and Geography of Portugal classes. Data were collected by applying the benefits of scale of the Cooperative Learning (EBAC) (Lopes, Silva, & Rock, 2014) and a questionnaire consisting of two open questions about the importance attributed to the cooperative learning in their learning process.

The results obtained showed that all students acknowledged having had significant benefits on cognitive, psychological and social level.

Key-words: Direct Instruction; Cooperative Learning; Psychological, Academic and Social Benefits

 

 

Introdução

Vários são os métodos de ensino a que os professores podem recorrer para que os alunos atinjam os objetivos de aprendizagem. Contudo, de acordo com a literatura nem todos os métodos apresentam a mesma eficácia na aprendizagem dos alunos. Num estudo de meta-análise realizado por Hattie (2009), a Instrução direta é referida como um dos métodos de maior eficácia no desempenho escolar dos alunos. A sua utilização permite acelerar o desempenho escolar dos alunos, fazendo com que estes aprendam mais em menos tempo e realizem uma aprendizagem compreensiva (Lopes & Silva, 2010). A investigação mostra que a Instrução direta pode ser eficaz para promover a aprendizagem de qualquer tipo de competências e a sua utilização é apropriada para todos os alunos de qualquer nível de ensino. Mais de 300 estudos demonstram que a instrução direta promove a melhoria do rendimento académico e, paralelamente, o desenvolvimento afetivo e social (Hattie, 2009).

A instrução direta é designada por alguns autores como sendo um ensino explícito ou ativo, essencialmente centrado no professor (Rosenshine & Stevens, 1986, cit. por Lopes & Silva, 2010). Os mesmos autores definem o princípio base deste método como sendo: se desejas que os alunos aprendam qualquer coisa, ensina-os diretamente.

É possível identificar na instrução direta diversas etapas. Uma das etapas essenciais é a explicação dos objetivos de aprendizagem, devendo o professor proceder à apresentação e à explicação dos mesmos no início de uma sequência de aprendizagem de modo a que os alunos percebam o que se pretende com a sua aprendizagem. De seguida, o professor deve apresentar os conteúdos, tendo sempre em conta os conhecimentos prévios que os seus alunos já possuem. Após esta apresentação, o professor passará para a prática guiada e de seguida para a prática independe, fases que permitirão aos alunos a consolidação das aprendizagens, fornecendo-lhes feedback constante sobre o seu desempenho. Tal como referem os autores Lopes e Silva (2009), na fase de prática independente, o professor pode constituir grupos de aprendizagem cooperativa de maneira a facilitar e guiar a aprendizagem ao nível cognitivo e simultaneamente possibilitar que os alunos desenvolvam competências sociais determinantes para a vida em sociedade.

O relatório da OCDE sobre Portugal (Santiago, Donaldson, Looney & Nusche, 2012) revela a necessidade de cooperação e de adoção de métodos e estratégias de ensino para que esta assuma um caráter de destaque no ensino português. Também, os Programas do 2º ciclo do Ensino Básico definem os objetivos gerais, que juntamente com as Metas Curriculares, remetem para a importância de os alunos cooperarem em atividades de grupo, sugerindo assim que os professores quando planificam as suas aulas devam ter em conta a necessidade de estimular a compreensão, a aceitação das opiniões dos outros colegas e, ainda, que seja assegurado que os alunos sejam capazes de comunicar, discutir, interpretar e defender as suas opiniões conforme Programas e Metas Curriculares de Matemática (Ministério da Educação e Ciência, 2013a), de Ciências Naturais (Ministério da Educação e Ciência, 2015) e de História e Geografia de Portugal do Ensino Básico (Ministério da Educação e Ciência, 2013b). Um dos métodos que possibilita desenvolver todas estas competências é a aprendizagem cooperativa.

A aprendizagem cooperativa é o uso instrucional de pequenos grupos de alunos que trabalham em conjunto a fim de maximizarem a sua própria aprendizagem e a dos outros (Johnson & Johnson, 1994, 1999). Segundo Cohen (1994), Dotson (2001), Gillies (2007), Hamburg e Hamburg (2004), Kagan (1994) e Norman (2005), a aprendizagem cooperativa é uma metodologia de ensino que se baseia na formação de grupos de alunos, pequenos e heterogéneos, que trabalham para executar uma determinada tarefa, com objetivos claramente definidos. Por sua vez, Slavin (1980) define a aprendizagem cooperativa como “um conjunto de técnicas da sala de aula em que os alunos trabalham em pequenos grupos, com atividades de aprendizagem e recebem prémios de incentivo com base nos resultados alcançados pelo grupo” (p. 342). Para Niquini (1997), a aprendizagem cooperativa implica “estudar e aprender em cooperação” (p. 15), uma vez que cooperar é atuar juntos, ou seja, de forma coordenada quer no trabalho, quer nas relações sociais de modo a serem atingidas metas comuns (Lopes & Silva, 2009).

No trabalho em grupo cooperativo espera-se que os alunos possuam competências de autonomia que os capacitem a trabalhar com os seus colegas de grupo. Estas competências possibilitam-lhes serem ativos, participar com ideias e tomar iniciativas próprias, assumindo deste modo responsabilidades (Perrenoud, 1995).

Vários são os investigadores que procuraram averiguar qual a relevância da aprendizagem cooperativa no processo de aprendizagem. Panitz (1996) e Johnson e Johnson (1989) através dos seus estudos demonstraram que a implementação do trabalho de grupo cooperativo na sala de aula é mais eficaz no rendimento escolar dos alunos comparativamente a métodos mais tradicionais de ensino. Bessa e Fontaine (2002), citando Slavin (1991), referem que o sucesso da aprendizagem em ambiente cooperativo se verifica em todos os tipos de estudantes. Isto é, não importa o género, a etnia ou o rendimento escolar, uma vez que são beneficiados quer os alunos mais competentes, quer os menos competentes.

De acordo com Panitz (1996), Palmer, Peters e Strectman (2003) há mais de 50 benefícios no trabalho em grupo cooperativo, que agrupam em: sociais, psicológicos e académicos. Segundo Fontes e Freixo (2004), os benefícios da aprendizagem cooperativa podem verificar-se ao nível das competências cognitivas e atitudinais. Ao nível cognitivo, a aprendizagem cooperativa ajuda a melhorar o aproveitamento escolar, promove a obtenção e utilização de competências cognitivas superiores e de processos de pensamento de nível mais elevado, estimula o desenvolvimento de linguagem mais elaborada, através da discussão gerada no grupo e fomenta o intercâmbio de informação. Também, Díaz-Aguado (2000) defende a ideia anteriormente apresentada, quando refere que a discussão gerada no seio do grupo estimula o conflito sociocognitivo, dando aos alunos um papel mais ativo na sua própria aprendizagem e favorecendo o desenvolvimento cognitivo. Sanches (1994) acrescenta que para além do referido anteriormente a aprendizagem em grupo cooperativo cria condições que permitem a repetição oral da informação, facilitando uma maior retenção dos conteúdos e uma compreensão mais profunda das matérias a aprender. Por outro lado, a discussão entre os colegas desenvolve não só competências de comunicação, mas também a capacidade de aceitar diferentes pontos de vista e de partilhar ideias e, como consequência disso, a tolerância e o respeito pelo outro (Andrade, 2011).

Ao nível atitudinal, os benefícios da aprendizagem cooperativa refletem-se no aumento da autoestima e autonomia dos alunos, no incremento da motivação devido aos processos interpessoais desenvolvidos no seio do grupo, no aumento das expetativas futuras resultantes da valorização das capacidades e dos esforços apresentados e ainda na melhoria das capacidades de comunicação (Moreira, 2012). Para além dos anteriormente mencionados, Moreira (2012) refere que estes benefícios se refletem na argumentação e aceitação de diferentes pontos de vista e de partilha de ideias e que proporciona o desenvolvimento da tolerância e do respeito pelo outro, tendo por base a confiança, a cooperação, a solidariedade e a empatia e o desenvolvimento da responsabilidade perante o grupo e perante a sua própria aprendizagem.

No entanto, quando pretendemos aplicar no contexto de sala de aula a aprendizagem cooperativa, tal como apresentam Johnson e Johnson (1994, 1999), devemos ter em conta os cinco elementos básicos que caraterizam os grupos cooperativos: (a) a interdependência positiva, isto é, os membros do grupo devem trabalhar juntos para realizar um objetivo comum, (b) a responsabilidade individual e de grupo, ou seja, o grupo tem de assumir a responsabilidade de alcançar os objetivos, mas, para isso, cada elemento tem de ser responsável por cumprir com a sua parte na tarefa a executar, (c) a interação estimuladora, preferencialmente face a face, (d) a avaliação do grupo, e (e) as competências sociais. Estas, segundo Candler (2005), são necessárias para trabalhar eficazmente de forma cooperativa e a sua falta é provavelmente um dos fatores que mais conduz ao insucesso académico dos grupos.

Considerando o anteriormente apresentado, o objetivo que orientou o desenvolvimento deste estudo foi verificar a perceção dos alunos sobre os benefícios sociais, académicos e psicológicos do trabalho em grupo cooperativo, que vivenciaram durante a prática independente do método instrução direta.

 

 

Método

Participantes

Os participantes deste estudo integravam uma turma do 5º ano de escolaridade de uma Escola EB 2,3, do distrito de Vila Real, Portugal. A turma era constituída por 21 alunos, sendo nove do sexo feminino (42,9%) e doze do sexo masculino (57,1%), apresentando uma média de idades de 10,2 anos.

 

 

Instrumentos

Os instrumentos utilizados para a recolha de dados foram a Escala de Benefícios da Aprendizagem Cooperativa (EBAC) (Lopes et al., 2014) e um questionário composto por duas questões abertas.

A Escala de Benefícios da Aprendizagem Cooperativa (EBAC) desenvolvida e validada na população portuguesa e tem como objetivo avaliar a perceção que os têm acerca dos benefícios do trabalho em grupo cooperativo.

A escala é constituída por 23 itens, com um tipo de resposta likert de 4 pontos, onde o 1 diz respeito a Discordo Totalmente e o 4 a Concordo Totalmente e é composta por duas subescalas de benefícios da aprendizagem cooperativa: benefícios académicos e psicológicos e benefícios.

Em simultâneo com a aplicação desta escala foram feitas duas questões abertas aos alunos: O que é que pensas do trabalho cooperativo nas aulas de Ciências Naturais, Matemática e História de Geografia de Portugal e Gostarias de trabalhar em grupos cooperativos nas outras disciplinas? Porquê?

 

 

Resultados e discussão

Procedemos, de seguida, à apresentação e análise dos resultados obtidos com a Escala de Benefícios da Aprendizagem Cooperativa.

Para analisar as respostas optamos por agrupar as quatro categorias de resposta: Discordo Totalmente, Discordo, Concordo e Concordo Totalmente, de modo a verificar a percentagem de alunos que Discorda Totalmente ou Discorda com as afirmações apresentadas na escala e a percentagem de alunos que Concorda ou Concorda Totalmente com as mesmas afirmações.

Ao analisarmos a Tabela 1 constatamos que a totalidade dos alunos Concorda Totalmente/Concorda com a maior parte das afirmações, tendo reconhecido que o trabalho de grupo cooperativo nas aulas de Ciências Naturais, Matemática e História e Geografia de Portugal, lhes permitiu ter uma visão diferente sobre as coisas/certas matérias, melhorar as aprendizagens, serem mais responsáveis com eles e com o grupo, serem mais capazes de ajudar os colegas com mais dificuldades, aprenderem com satisfação, desenvolverem o espírito de grupo, a capacidade de ouvir as ideias dos colegas e a aumentar a motivação para aprender (Itens 6, 8, 9, 10,13,14,18,19 e 20).

A obtenção de uma percentagem de 100% nos itens anteriormente referidos revelam a grande importância que atribuíram ao trabalho cooperativo para a sua aprendizagem, isto porque a motivação para a aprendizagem é um passo muito importante para o sucesso escolar dos alunos.

 

Tabela 1

Percentagem de respostas dos alunos aos diferentes itens da Escala dos benefícios da aprendizagem cooperativa

Itens da Escala

DT/D %

C/CT %

1. A compreender melhor a matéria.

4,8

95,2

2. A trocar informações, experiências e conhecimentos.

4,8

95,2

3. A resolver problemas.

4,8

95,2

4. A desenvolver a capacidade de discutir as ideias.

4,8

95,2

5. A sentir mais à vontade, mais descontraído, menos nervoso, quando tento partilhar as minhas ideias ou comunicar dentro do grupo.

9,5

90,5

6. A ter uma visão diferente sobre as coisas/certas matérias.

0

100

7. A dar mais importância aos esforços do grupo para a realização das tarefas do que aos individuais (os de cada um individualmente).

4,8

95,2

8.A melhorar a minha aprendizagem considerando as opiniões sobre o trabalho dadas pelos meus colegas, isto é, o feedback (as informações) que recebo dos colegas.

0

100

9. A ser mais responsável comigo e com o meu grupo.

0

100

10. A ser mais capaz de ajudar os meus colegas de grupo com mais dificuldades.

0

100

11. A conseguir comunicar melhor as minhas ideias.

4,8

95,2

12. A sentir mais aceite pelos outros.

4,8

95,2

13. A melhorar a minha aprendizagem.

0

100

14. A aprender com mais satisfação.

0

100

15. A perceber que trabalhar em grupo é mais divertido.

4,8

95,2

16. A envolver mais ativamente na realização das tarefas.

4,8

95,2

17. A ser mais paciente e tolerante em relação às ideias propostas pelos meus colegas.

4,8

95,2

18. A desenvolver o espírito de equipa ou de grupo.

0

100

19. A desenvolver a capacidade de ouvir as ideias dos outros colegas.

0

100

20. A aumentar a motivação por aprender.

0

100

21. A perceber que é menos cansativo (causa menos nervosismo) do que trabalhar sozinho.

4,8

95,2

22.A perceber que traz vantagens para mim explicar a matéria aos colegas do grupo.

4,8

95,2

23. A desenvolver a capacidade de planear o meu trabalho e estabelecer objetivos.

23,8

71,4

DT – Discordo Totalmente; D – Discordo; C- Concordo; CT – Concordo Totalmente

 

Para 95,2% dos alunos o trabalho em grupo cooperativo ajudou-os a compreender melhor a matéria, a trocar informações, experiências e conhecimentos, a resolver problemas, a desenvolver a capacidade de discutir ideias, a dar mais importância aos esforços do grupo para a realização das tarefas do que aos individuais, a conseguir comunicar melhor as ideias, a sentir-se mais aceite pelos colegas, a envolver-se nas tarefas, a perceber que o trabalho de grupo é mais divertido, a ser paciente e tolerante em relação às ideias propostas pelos colegas, a perceber que é menos cansativo do que trabalhar sozinho e a perceber que lhes traz vantagens explicar a matéria aos colegas.

Tal como referimos anteriormente a Escala de Benefícios da Aprendizagem Cooperativa encontra-se subdividida em duas subescalas: Subescala de Benefícios Sociais, que corresponde aos itens 2, 4, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 15, 17, 18, 19, 20 e 23 e Subescala de Benefícios Académicos e Psicológicos, itens 1, 3, 5, 12, 13, 14, 16, 21 e 22.

Procedendo à análise das duas subescalas, verifica-se que 98% dos alunos concordam totalmente (75%) ou concordam (23%) que obtiveram benefícios sociais (Gráfico 1) por trabalharem em grupos cooperativos na Prática Independente do método Instrução direta.

im1

Gráfico 1 - Perceção dos alunos no que respeita aos benefícios sociais resultantes da aprendizagem cooperativa

 

Pela análise do Gráfico 2 verificamos que 97% dos alunos concordam totalmente (71%) ou concordam (26%) que obtiveram benefícios académicos e psicológicos por trabalharem em grupos cooperativos na etapa da prática independente do método Instrução direta.

Os resultados obtidos vão de encontro, entre outros, aos de estudos realizados por Azevedo (2013), Cunha (2012), Johnson, Johnson e Stanne (2000), Lopes e Silva, (2009), Lopes, Silva e Rocha (2014), Palmer, Peters e Strectman (2003), Panitz (1996) e Ribeiro (2012). À semelhança dos alunos do nosso estudo, os participantes nos estudos referidos consideraram que o trabalho em grupo cooperativo lhes trouxe importantes benefícios sociais, psicológicos e académicos.

 im2

Gráfico 2 - Perceção dos alunos no que respeita aos Benefícios Académicos e Psicológicos resultantes da Aprendizagem Cooperativa

 

Á pergunta “O que é que pensas do trabalho cooperativo nas aulas de Ciências Naturais, Matemática e História e Geografia de Portugal?”, todos os alunos (100%) responderam ter gostado de trabalhar de forma cooperativa nestas aulas.

 

Tabela 2

Resultados da análise de conteúdo à questão: "O que é que pensas do trabalho cooperativo nas aulas de Ciências Naturais, Matemática e História e Geografia de Portugal?"

N =18

Categorias de resposta

Número de respostas

(f)

Percentagem (%)

Melhoria na Aprendizagem

12

66,7

Existência de entreajuda

6

33,3

 

Dos 18 alunos que justificaram a sua opinião, 66% referiram que o trabalho em grupo cooperativo lhes permitiu melhorar a aprendizagem e 33,3% valorizaram o facto de se terem ajudado uns aos outros (Tabela 2). São exemplos de resposta:

- “ Penso que isso [o trabalho cooperativo] foi muito divertido e aprendi muito bem”(A1);

- “Gostei porque foi uma forma de aprendermos mas de uma forma divertida” (A3);

- “Acho que foi divertido e aprendemos ao mesmo tempo” (A8);

- “Gostei de trabalhar em grupo, pois não só ajudava os outros como os outros também me ajudavam a mim, o que fazia com que as coisas tivessem sentido”(A15);

- “Acho que é muito divertido, gostei muito, pois fiquei a compreender melhor a matéria” (A16); e

- “O trabalho de grupo cooperativo foi muito divertido, aprendi as coisas com mais facilidade. Algumas vezes tivemos discussões mas eu gostei” (A21).

À pergunta "Gostarias de trabalhar em grupos cooperativos nas outras disciplinas? Porquê?", todos os alunos (100%) responderam afirmativamente.

A análise ao conteúdo das respostas dadas pelos 17 alunos que justificaram a sua opinião permitiu verificar que 88,2% consideraram que o trabalho em grupo cooperativo lhes possibilitaria melhorar a sua aprendizagem (Tabela 3). Este resultado está em consonância com as respostas dadas pelos alunos ao item 13 (… a melhorar a minha aprendizagem) da Escala de Benefícios da Aprendizagem Cooperativa, com o qual todos os alunos concordaram totalmente.

 

Tabela 3

Resultados da análise de conteúdo à questão: "Gostarias de trabalhar em grupos cooperativos nas outras disciplinas? Porquê?"

N =17

Categorias de resposta

Número de respostas

(f)

Percentagem (%)

Melhoria da aprendizagem

15

88,2

Desenvolvimento do pensamento

1

5,9

Partilha de ideias

1

5,9

 

A opinião dos alunos envolvidos neste estudo vai de encontro à dos alunos que participaram, entre outros, nos estudos de Azevedo (2013), Ramos (2008) e Ribeiro (2012).

A análise das respostas aos itens da EBAC e do questionário permite-nos constatar que a utilização do trabalho em grupo cooperativo na fase de prática independente do método instrução direta proporcionou uma experiência positiva aos alunos. Estes, na sua totalidade, reconheceram ter tido benefícios importantes quer ao nível cognitivo quer ao nível psicológico e social.

 

Conclusão

Considerando os resultados obtidos, poderemos concluir que, na opinião dos alunos, a utilização da aprendizagem cooperativa na etapa da prática independente do método instrução direta lhes permitiu obter benefícios sociais (i.e, a trocar informações, experiências e conhecimentos; a desenvolver a capacidade de discutir ideias; a ser mais capaz de ajudar os colegas de grupo com mais dificuldades; a conseguir comunicar melhor as ideias; a desenvolver o espírito de equipa ou de grupo; a aumentar a motivação para aprender) e benefícios académicos e psicológicos (i.e., a compreender melhor a matéria; a melhorar a aprendizagem; a perceber que traz vantagens explicar a matéria aos colegas; a aprender com mais satisfação; a envolver mais ativamente na realização das tarefas).

 

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[1] Endereço para correspondência: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

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