ISSN 2183 - 3990       

Prevenção da Obesidade em Idade Escolar: a importância da leitura dos rótulos

Prevenção da Obesidade em Idade Escolar: a importância da leitura dos rótulos

Preventing Obesity in Schoolchildren: the importance of reading labels

Amâncio António de Sousa Carvalho*1/ Isabel Maria Antunes Rodrigues da Costa Barroso* / José Manuel Monteiro Dias*

*Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Escola Superior de Enfermagem, Vila Real, Portugal; 1Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC) da Universidade do Minho

 

Resumo

A alimentação saudável é um dos fatores determinantes para o crescimento e desenvolvimento das crianças e jovens em idade escolar e os hábitos alimentardes apreendidos durante este período determinam os comportamentos alimentares na idade adulta. Os professores, os pais, a família e os profissionais de saúde desempenham um papel muito importante na aprendizagem de conhecimentos para a escolha dos alimentos em função do seu benefício e valor nutricional, importantes fatores para a prevenção da obesidade. Neste sentido, emerge a importância de uma leitura adequada dos rótulos dos alimentos. Com este workshop pretendemos: i) Aprofundar conhecimentos sobre a prevenção da obesidade e leitura de rótulos alimentares; ii) Sensibilizar os professores para a importância da leitura dos rótulos, motivando-os a trabalhar estes conteúdos com os seus alunos; iii) Desenvolver competências nos professores no âmbito da leitura de rótulos e cálculo de percentis.

Palavras chave: Prevenção da Obesidade; Alimentação Saudável; Rótulos; Idade Escolar.

 

Abstract

Healthy eating is one of the determining factors for the growth and development of children and young people at school age and eating habits seized during this period determine the eating behaviours in adulthood. Teachers, parents, family and

caregivers play a very important role in learning knowledge to choose the food according to their benefit and nutritional value, important factors for obesity prevention. In this sense emerges the importance of a proper reading of food labels. With this workshop we aim to: i) enhance knowledge on the prevention of obesity and reading food labels; ii) To sensitize teachers to the importance of reading labels motivating them to work these contents with their students; iii) Developing skills amongst teachers in order to prepare them for reading labels and calculating percentiles.

Keywords: Obesity Prevention; Healthy Eating; Labels; School Age.

 

Introdução

Os resultados de diversos estudos internacionais e nacionais mostram que a pré-obesidade e a obesidade são um grave problema de saúde pública em crianças e adolescentes, sendo necessário combater esta epidemia e inverter a situação (Antunes & Moreira, 2011). Este importante problema tem vindo a ganhar destaque no cenário epidemiológico mundial (Enes & Slater, 2010). Num estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em que participaram 32 países, a prevalência conjunta média de pré-obesidade e obesidade aos 13 anos foi de 14,4% no sexo masculino e de 9,3% no sexo feminino, e de 8,2% e 6,0% aos 15 anos, respetivamente (Brito, Viveiro & Moleiro, 2014).

Segundo Enes e Slater (2010), em 2004 a estimativa de sobrepeso era de 10%. Estudos realizados em países com diferentes estádios de desenvolvimento socioeconómico revelaram aumento significativo na prevalência de sobrepeso entre crianças e adolescentes nas últimas décadas. Entre os adolescentes foram observados incrementos de 62% nos Estados Unidos da América (de 16,8% para 27,3%) e 24,0% no Brasil (de 3,7% para 12,6%).

A nível mundial, de acordo com dados da International Obesity Task Force (2004), uma em cada dez crianças era classificada como pré-obesa e aproximadamente 30 a 45 milhões como obesas. Na Europa, a prevalência de pré-obesidade infantil é menor nos países da Europa Central e maior nos países mediterrânicos, que apresentam prevalências na ordem dos 20% a 40%, onde o nosso país se inclui. Portugal é mesmo um dos países da União Europeia com maior prevalência de obesidade infantil (Rito & Carmo, 2011).

Um estudo realizado por Ferreira (2010), a nível nacional, com uma amostra de 5.708 adolescentes, com idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos, revelou

uma prevalência de 22,6% de pré-obesidade e de 7,8% de obesidade, percentuais que ainda se podem considerar elevados, segundo os critérios de Cole, Bellizi, Flegal e Dietz (2000).

Em termos de repercussões do aumento da prevalência deste fenómeno, sabe-se que a obesidade infantil tem um impacto significativo a curto e a longo prazo, em termos da saúde e do bem-estar das crianças e adolescentes. Esta patologia está muitas vezes associada a outras doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares e o cancro, das quais se destacam a hipertensão, a dislipidémia, a intolerância à glicose, a apneia do sono e a infertilidade, que contribuem para um risco acrescido de morte prematura e perda de qualidade de vida. As crianças com pré-obesidade têm um risco acrescido de se tornarem adultos obesos (Rito & Carmo, 2011).

No dizer de Ferreira, Mota e Duarte (2012), a obesidade contribui anualmente para 2,6 milhões de mortes em todo o mundo e revela-se um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, estando associada a um elevado risco de morbilidade e mortalidade, bem como à diminuição de anos de vida.

A etiologia da obesidade é multifatorial e resulta da combinação de diversos fatores. Sabe-se que apenas uma pequena percentagem de obesidade em crianças e adolescentes está associada a alterações genéticas e hormonais (Sousa, Loureiro & Carmo, 2008), e que a alimentação constitui uma variável importante na abordagem da obesidade infanto-juvenil (Rito & Carmo, 2011).

A alimentação que fazemos depende da seleção de alimentos que cada um de nós põe em prática, nas refeições, e essa seleção deve basear-se no conhecimento dos diversos alimentos. Ora o rótulo deverá fornecer um conjunto de informações que permita ao consumidor conhecer melhor cada alimento e tomar as melhores decisões. Daí que saber fazer uma leitura correta do rótulo seja importante para uma alimentação saudável e prevenção da obesidade (Instituto do Consumidor, 2002).

Na perspetiva da saúde pública, a leitura dos rótulos dos alimentos embalados e processados deve ser de conhecimento fácil e generalizado pela população, reforçando a importância das escolas contribuírem para o objetivo de promover a escolha de alimentos saudáveis. Nesta perspetiva, é fundamental sensibilizar os professores para a importância de abordarem a leitura dos rótulos dos alimentos

com os alunos de forma a educar sobre o seu conteúdo nutricional, aumentar a conscientização sobre a importância de considerar as quantidades de nutrientes e porções e motivar para escolhas mais saudáveis, investindo na vertente da promoção da saúde e prevenção da doença.

O fenómeno da obesidade, associada a uma alimentação incorreta, muitas vezes é acompanhado de distúrbios alimentares, especificamente a bulimia, aos quais se fará uma breve abordagem.

É no âmbito desta problemática que se foca este artigo, resultante de um workshop que teve como objetivos: i) Aprofundar conhecimentos sobre a prevenção da obesidade e leitura de rótulos alimentares; ii) Sensibilizar os professores para a importância da leitura dos rótulos, motivando-os a trabalhar estes conteúdos com os seus alunos; iii) Desenvolver competências nos professores no âmbito da leitura de rótulos e cálculo de percentis.

 

O Fenómeno da Obesidade

Quando se propõe estudar determinado objeto deve começar-se por apresentar a definição que melhor se enquadra. Neste artigo, adotou-se o conceito da DGS (2005), baseado na OMS, que define a obesidade como “Uma doença em que o excesso de gordura corporal acumulada pode atingir graus capazes de afetar a saúde (p. 5). A obesidade resulta de um balanço energético positivo, no qual a energia ingerida através da alimentação excede o gasto energético do metabolismo basal, efeito térmico dos alimentos e atividade física realizada (OMS, 2004; Teixeira & Silva, 2009).

Esta doença nutricional é multifatorial. Estima-se que 1% a 5% dos casos de obesidade existentes sejam devidos a uma causa endógena (causas genéticas e/ou endócrinas), sendo os restantes 95% a 99% devidos a causa primária ou exógena (ingestão excessiva, sedentarismo, ambiente, etc.) (Sousa et al., 2008). Salienta-se que são diversos e complexos os fatores que podem dar origem a um balanço energético positivo, mas ao invés da influência de qualquer fator isolado por si só, a maior influência resulta da interação entre esses fatores (OMS, 2004).

Segundo Enes e Slater (2010), a instalação da obesidade pode ser explicada pelas mudanças recentes no padrão alimentar, como o maior consumo de refeições fora de casa, o aumento do consumo de bebidas com adição de açúcar, como os refrigerantes, o consumo de porções de alimentos cada vez maiores, bem como a frequência das refeições e o reduzido consumo de vegetais frescos e de frutos. Para além do fator alimentação, que aqui se destaca, a redução dos níveis de atividade física e o tempo dedicado às atividades de baixa intensidade, como ver televisão e jogar videojogos, também parecem exercer um papel fundamental neste processo.

 

Classificação do Índice de Massa Corporal (IMC)

O IMC, medido em kg/m2, é o parâmetro antropométrico recomendado pela OMS para avaliação do estado nutricional, refletindo de modo objetivo e aproximando o grau de adiposidade e os seus riscos para a saúde no adulto, permitindo estudos comparativos (Brito et al., 2014).

No adulto, o IMC permite, de uma forma rápida e simples, avaliar se o indivíduo apresenta baixo peso, pré-obesidade ou obesidade, pelo que foi adotado internacionalmente para classificar a obesidade (DGS, 2005). No entanto, em certos casos, especificamente nos atletas, nos indivíduos com edemas e com ascite, o IMC não constitui uma medida fiável da obesidade, não permitindo distinguir a causa do excesso de peso.

Com base nos critérios da OMS considera-se que existe pré-obesidade quando o IMC é ≥ 25 e que estamos perante um caso de obesidade, quando o IMC ≥ 30, sendo que a obesidade se classifica em três classes (Tabela 1) (DGS, 2005).

TABELA1

 

O IMC apresenta vantagens idênticas na idade pediátrica. No entanto, até aos 18 anos de idade, ao contrário do adulto, em que estão definidos os pontos de corte

para o diagnóstico de pré-obesidade e de obesidade, não é possível definir tais pontos de corte. As características dinâmicas dos processos de crescimento e maturação que ocorrem nesta idade tornam mais difícil o diagnóstico, não existindo um critério consensual (DGS, 2005).

Assim, na idade pediátrica, o valor do IMC deve ser percentilado em função do sexo e da idade, sendo utilizadas tabelas referentes a uma população padrão (Brito et al., 2014).

 

Percentil do IMC

Em Portugal, a DGS recomenda a utilização das curvas de percentis de IMC do Center for Disease Control and Prevention (CDC) de 2007, incluídas no Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil (DGS, 2013), recomendadas pela OMS (WHO, 2007). O baixo peso corresponde a um percentil (P) < 3; o peso normal a um P3 ≤ IMC < P85; a pré obesidade P85 ≤ IMC < P97; e a obesidade IMC ≥ 97 (Brito et al., 2014).

O primeiro passo é calcular o IMC dividindo o peso, em quilogramas (Kg), pela altura, em metros, elevada ao quadrado (Peso/Altura2). De seguida utiliza-se o valor do IMC calculado, consulta-se a tabela das curvas de percentis relativa ao sexo e idade da criança ou jovem em estudo e verifica-se em que percentil se enquadra. Por último, utilizando a classificação de percentis da DGS (2013), categoriza-se o caso em estudo. Este processo pode ser efetuado, recorrendo ao site da DGS (www.dgs.pt).

As estratégias de prevenção da obesidade passam pelo desenvolvimento de conhecimentos na leitura de rótulos para uma escolha adequada dos alimentos.

 

A contribuição da leitura de rótulos para uma Alimentação Saudável

Alimentação saudável começa pelo conhecimento dos ingredientes, quantidade e características que constituem determinado alimento. Efetivamente, a leitura da informação nutricional dos produtos alimentares pode contribuir de forma considerável para a escolha de alimentos mais adequados às necessidades específicas de cada indivíduo, até para que se possam identificar alérgenos na sua constituição (Nunes, Barros, Moreira, Moreira & Almeida, 2012). No entanto, a informação nutricional constante nos rótulos dos alimentos embalados e processados é normalmente subutilizada pelos consumidores (Miller & Cassady, 2015), pois pode ser um processo complexo não permitindo uma comunicação eficaz (Drichoutis, Nayga & Lazaridis, 2009; Hieke & Taylor, 2012).

A leitura dos rótulos nutricionais é uma estratégia fundamental para a escolha de alimentos saudáveis (McCann et al., 2013). Na Europa, cerca de 84% dos produtos processados e embalados tem rótulos nutricionais (Bonsmann, Celemin, Grunert & FLABEL Consortium, 2010) sendo necessário educar os consumidores para desenvolverem competências para essa leitura (Graham, Heidrick & Hodgin, 2015). Até porque a maioria das pessoas é capaz de compreender as informações básicas nutricionais presentes nos rótulos dos alimentos (Graham & Jeffery, 2011).

A informação nutricional dos rótulos alimentares identifica a composição média em termos de nutrientes e valor energético de modo a permitir, de forma fácil e rápida, uma apreciação e comparação dos produtos alimentares e assim permitir a escolha de alimentos que, pelas suas vantagens nutricionais, podem ser importantes para a prevenção da obesidade. Neste sentido, os rótulos dos produtos alimentares pré-embalados contêm menções em português, obrigatórias, que devem estar inscritas em local bem visível, em caracteres legíveis e indeléveis e outras facultativas, indispensáveis para uma escolha adequada dos alimentos (Instituto do Consumidor, 2002). Segundo o Decreto-Lei n.º 560/99, de 18 de dezembro, os rótulos dos produtos alimentares devem apresentar, obrigatoriamente: i) a denominação de venda (nome do produto alimentar devendo mencionar se o produto alimentar foi sujeito a processamento: fumado, pasteurizado, congelado, etc); ii) a lista de ingredientes que integram o produto; iii) a quantidade líquida contida na embalagem; iv) o prazo de validade; v) o lote ”L”; vi) e o nome e morada da entidade que lança o produto no mercado e vii) condições de conservação as denominações facultativas como o código de barras; letra “e”; ponto verde e a informação nutricional.

Cada produto alimentar contém um conjunto de informações específicas sobre a sua composição nutricional que quanto mais cientificamente precisas e úteis mais eficazes serão na transmissão de informações para os consumidores. Tendo por base estudos científicos, a informação nutricional pode ser apresentada em Valores Diários de Referência (VDR), baseados em estimativas para indivíduos saudáveis, mas não dispensa o conhecimento dos códigos de texto e cores (Hersey,

Wohlgenant, Arsenault, Kosa & Muth, 2013). Neste sentido, os rótulos podem exibir na parte da frente da embalagem a representação gráfica relativa à energia por porção/dose e a percentagem do VDR dos nutrientes e na parte de trás uma tabela com a informação nutricional por porção/dose e o VDR, valores médios estabelecidos para uma dieta de 2000 Kcal.

De acordo com o Decreto-Lei n.º 560/99, de 18 de dezembro, a apresentação da informação nutricional dos produtos alimentares e da energia que fornecem pode constar no rótulo de forma simples, em que são apresentadas as informações relativas ao grupo 1 (valor energético do alimento, conteúdo em proteínas, hidratos de carbono e lípidos), ou de forma completa, em que são apresentadas as informações relativas ao grupo 2 (valor energético, quantidade de proteínas, hidratos de carbono, açúcares, lípidos, ácidos gordos saturados, fibra e o sódio), podendo ainda constar a quantidade de amido, polióis, ácidos gordos monoinsaturados e polinsaturados e colesterol.

A maioria dos produtos alimentares pré-embalados contém uma lista de ingredientes na embalagem com especificações recomendadas pela US Food and Drug Administration (2013). No estudo de Ollberding, Wolf e Contento (2010), 52% dos entrevistados referiu que costumava consultar a lista de ingredientes, sendo a percentagem mais elevada (78%) no estudo de Noazmir, Norazlanshah, Naqieyah e Anuar (2012).

A lista de ingredientes deve indicar todos os que fazem parte do produto alimentar por ordem decrescente de quantidade, pelo que o ingrediente que aparece em primeiro lugar é aquele que existe em maior quantidade (Instituto do Consumidor, 2002). E deve constar, quando existem, os aditivos que contêm esse produto, designados pela categoria a que pertencem e pelo nome específico ou pela letra E, seguida de um número com três algarismos como é o caso do antioxidante (E 300), assim como os alergénicos cuja informação é precedida por "contém...", como é o caso dos ovos, glúten, amendoim, soja, leite, crustáceos, entre outros. É ainda obrigatório a informação nutricional quando o produto alimentar indica propriedades nutritivas como “light”, “rico em fibras”, “baixo em colesterol”, entre outras.

A quantidade de produto alimentar contida na embalagem pode ser expressa em volume (l, cl, ou ml) ou em massa (kg ou g). A informação nutricional é fornecida por 100g ou por 100ml de produto alimentar; por dose e porção se indicado a quantidade da dose ou o número de porções contidas na embalagem e informação sobre a dose diária recomendada. A dose é a quantidade de produto alimentar habitualmente consumida em cada refeição, uma quantidade padronizada que permite a comparação com produtos alimentares semelhantes. A porção representa as partes em que está dividido o produto alimentar, uma vez embalado, e o número de porções presentes por dose na embalagem influencia o número de calorias. No caso do alimento envolto numa quantidade líquida (enlatados), deve constar o peso escorrido do alimento, retirada a parte líquida, para identificação do valor energético real. As vitaminas e sais minerais, quando existem em quantidade significativa, ou seja, pelo menos 15 % da dose diária recomendada (DDR) deve ser especificada por 100 g ou 100 ml ou por embalagem, caso esta contenha apenas uma porção (Decreto-Lei n.º 54/2010, de 28 de maio).

O prazo de validade pode aparecer com a data limite de consumo, sendo mencionado no rótulo “Consumir até...”, dia e mês, usado para os alimentos que se deterioram facilmente. Mas também “Consumir de preferência antes de…” dia e mês, para alimentos com uma duração inferior a três meses ou mês e ano, para alimentos com uma duração entre três a 18 meses, e indicação do ano para alimentos com uma duração superior a 18 meses. O prazo de validade é facultativo para produtos alimentares como sal, vinagre, açúcar, entre outros.

O valor energético contém informações sobre a quantidade de energia em quilojoules (kJ) ou quilocalorias (kcal), correspondendo a Kcal aproximadamente a 4 KJ, geralmente referidos como calorias e representa a soma da energia ou valor calórico fornecida pelos nutrientes, proteínas, glícidos e lípidos. Os valores de energia médios recomendados para adultos saudáveis situam-se entre as 1800 e as 2500 calorias, sendo que, nas mulheres, os valores médios variam entre as 1500 e as 1800 calorias, e nos homens, entre as 2000 e as 2500 calorias, dependendo do estilo de vida e da atividade física (Candeias, Nunes, Morais, Cabral & Silva, 2005a). Além do valor energético, o organismo necessita, diariamente e em quantidades adequadas, de proteínas, hidratos de carbono, gorduras, assim como vitaminas, minerais e água (Gregório, Santos, Ferreira & Graça, 2012).

As proteínas são das informações respeitantes à qualidade nutricional mais procuradas, dado que integram a constituição dos alimentos, sendo responsáveis pelo crescimento, manutenção e reparação dos órgãos, tecidos e células, encontrando-se nos alimentos como leite, iogurte, queijo, ovos, carnes, aves, pescado e leguminosas secas e um grama de proteína fornece 4 Kcal, o que corresponde a aproximadamente 17 KJ (Decreto-Lei nº 54/2010, de 28 de maio).

Os hidratos de carbono ou glícidos devem constituir a principal fonte de energia para a realização das funções do organismo, podendo classificar-se em simples (açúcar, designado por sacarose, frutose presente na fruta lactose presente no leite) e complexos (amido presente nos cereais e derivados, arroz, massa, leguminosas secas como o feijão, grão-de-bico, tubérculos, frutos e açúcar), e um grama de hidratos de carbono (exceto polióis) fornece 4 Kcal, o que corresponde a 17 KJ (Decreto-Lei nº 54/2010, de 28 de maio).

Os produtos processados (bolachas, cereais de pequeno-almoço, refrigerantes, sumos, iogurtes, entre outros), geralmente contêm excesso de açúcar. Deve dar-se atenção à quantidade de açúcar consumida, pois o açúcar pode estar escondido de diversas formas: glicose, sacarose, dextrose, maltose, maltodextrinas, mel, entre outros, o que significa consumir mais açúcar do que o que mencionado no rótulo. Por sua vez, os polióis são álcoois muito utilizados para adoçar os produtos dietéticos, como o manitol, sorbitol, isomaltose e xilitol e o seu valor calórico médio é cerca de 2,4 Kcal por grama (Carola, Delgado & Duarte, 2011). Se o alimento for rico em açúcar consta nos primeiros lugares da lista, o que quer dizer que o alimento contém açúcar como um dos principais ingredientes. A quantidade de açúcar é considerada alta se for superior a 22,5 g de açúcares totais por 100 g e a alegação de baixo teor de açúcares só pode ser feita quando o produto alimentar não possuir mais do que 5g de açúcares por 100g para os sólidos e 2,5g de açúcares por 100ml para os líquidos (Regulamento nº 1924/2006, de 10 de dezembro).

Os lípidos ou gorduras existem em alimentos de origem animal e são os principais fornecedores de energia, uma vez que um grama de lípidos fornece 9 Kcal, o que corresponde aproximadamente a 37 KJ (Regulamento nº 1924/2006, de 10 de dezembro). Estes nutrientes transportam as vitaminas (A, D, E, K) e entram na constituição de diversas estruturas celulares. Existem nos alimentos como a manteiga, banha, natas, gema de ovo, gorduras de aves e pescado, azeite, óleos, margarinas, frutos secos, entre outros. Os lípidos ou gorduras podem ser classificados como: i) saturados e fazem parte da gordura das carnes, produtos de charcutaria, óleos de palma, coco e óleos “parcialmente hidrogenados”, encontrando-se em muitos produtos alimentares processados no leite e derivados “gordos” como os queijos. Devem ser consumidos com moderação pois os lípidos saturados aumentam os níveis de colesterol sanguíneo, fator responsável pelas doenças cardiovasculares; ii) monoinsaturados, lípidos que existem no azeite e óleo de amendoim e o seu consumo favorece a diminuição dos níveis de colesterol sanguíneo, uma vez que impedem a produção e a absorção de colesterol no organismo; iii) polinsaturados, os lípidos que se encontram nos óleos vegetais de milho, girassol e soja, peixes, frutos secos e margarinas e é errado pensar que aumentam o colesterol sanguíneo.

Se na lista de ingredientes, os primeiros são ricos em gordura, o alimento em questão contém alto teor de gordura, no entanto, a soma dos ácidos gordos saturados e dos ácidos gordos trans não pode fornecer mais de 10 % do valor energético (Regulamento nº 1924/2006, de 10 de dezembro). Existem orientações que indicam que se um alimento é rico em gordura total esta é considerada elevada se for superior a 17,5 g /100 g e baixa se integrar 3 g/100 g de gordura ou de 1,5 g de gordura por 100 ml para os líquidos (1,8 g de gordura por 100 ml para o leite meio gordo). Por sua vez, a gordura saturada é alta se for superior a 5 g de gordura saturada por 100g e baixa se a soma dos ácidos gordos saturados e dos ácidos gordos trans contidos no produto não exceder 1,5 g/100 g para os sólidos ou 0,75 g/100 ml para os líquidos (Regulamento nº 1924/2006, de 10 de dezembro). A gordura total inclui gorduras consideradas boas como monoinsaturadas, polinsaturadas e gorduras omega-3 (normalmente a partir de fontes de líquidos e vegetais, tais como óleo de nozes) e gorduras que não são tão boas, como as gorduras saturadas e trans (a partir de fontes animais ou vegetais). Gorduras monoinsaturadas e polinsaturadas podem ajudar a diminuir o colesterol no sangue e proteger o coração. As gorduras trans são também conhecidas como "hidrogenadas" e "gorduras parcialmente hidrogenadas" e são formados durante o processo de transformação de óleos líquidos em gorduras sólidas, tais como a margarina. A hidrogenação aumenta a vida do alimento, permitindo mais tempo de conservação e estabiliza o sabor das gorduras hidrogenadas, consideradas as piores gorduras para a saúde (Candeias, Nunes, Morais, Cabral & Silva, 2005b).

O colesterol está presente no fígado e vísceras de animais, produtos de charcutaria, gema de ovo, bacalhau, polvo, lulas, camarão e produtos lácteos gordos. Pode ser de dois tipos: i) colesterol HDL ou "bom" colesterol e ii) colesterol LDL, ou "mau" colesterol. O colesterol sanguíneo elevado (LDL) é considerado um fator de risco para o aparecimento de doenças cardiovasculares, sendo de evitar alimentos que potenciem o seu aumento, privilegiando as gorduras monoinsaturadas e polinsaturadas (Candeias et al., 2005a).

Por outro lado, existem nutrientes reguladores e protetores como as vitaminas, os minerais e as fibras (Gregório et al., 2012). As vitaminas e os sais minerais não fornecerem energia mas ativam, facilitam e regulam quase todas as reações bioquímicas do organismo. As fibras alimentares ou complantix constituem um conjunto de substâncias presentes nos alimentos de origem vegetal (cereais e derivados como pão escuro com grãos dos cereais, leguminosas secas, frutos e produtos hortícolas, hortaliças e legumes) e como não são absorvidas pelo organismo contribuem para o aumento da velocidade do trânsito intestinal. Para um alimento ser considerado rico em fibras deve conter pelo menos 5 gramas por porção num total de 25 a 38 gramas por dia. Deve privilegiar-se a ingestão de alimentos ricos em fibra por diminuir o risco de obstipação, hemorroidas, obesidade, diabetes, diminuir a absorção do colesterol alimentar ao nível do intestino e a exposição da parede do cólon a agentes potencialmente carcinogénicos, o que é associado a uma diminuição do risco de cancro do cólon (Candeias et al., 2005a).

Os estudos científicos apontam o consumo elevado de sal, como um importante fator para o aparecimento da hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, sobrecarga do funcionamento renal e maior retenção de líquidos pelo organismo, assim como aumento do risco de aparecimento de determinados tipos de cancro e a maioria dos adultos consome mais sal do que as 5 g por dia, o máximo recomendado pela OMS (Candeias, Nunes, Morais, Cabral & Silva, 2005c). A quantidade de sal superior a 1,5 g de sal por 100g (ou 0,6 g de sódio) é considerada elevada e baixa se indicar 0,3 g de sal por 100g ou menos (ou 0,1 g de sódio), acrescentando o glutamato monossódico e o bicarbonato de sódio quantidades significativas de sódio aos alimentos (Candeias et al., 2005b).

É hoje amplamente reconhecido que o aumento significativo da obesidade está relacionado com um estilo de vida sedentário, com uma alimentação inadequada e que ultrapassa as necessidades calóricas para uma dieta saudável. Neste sentido, pode ser uma boa ajuda os rótulos com identificação dos nutrientes por cores, o chamado esquema do Semáforo, desenvolvido pela Food Standart Agency (FSA) do Reino Unido, que expõe a informação nutricional na parte da frente da embalagem, utilizando um código de cores (verde, amarelo e vermelho) para gordura, gordura saturada, açúcar simples e sal. Assim, o código de cores ajuda o consumidor a escolher de forma rápida os produtos alimentares de acordo com as cores indicadas. O verde significa que o produto alimentar é composto por baixa quantidade desse nutriente, o amarelo que o nutriente tem um teor médio e o vermelho que tem um teor elevado desse nutriente.

 

Distúrbios Alimentares

A preocupação com o peso, a forma do corpo e a aparência é cada vez mais evidente na população adulta feminina e afeta também hoje em dia, crianças e adolescentes. Os fatores genéticos, psíquicos e sociais bem como a personalidade de cada indivíduo podem levar à adoção de comportamentos inapropriados que podem desencadear transtornos mentais graves, como os transtornos do comportamento alimentar (Grando & Rolim, 2008; Townsend, 2011). Desta forma, torna-se pertinente conhecer a classificação destes transtornos referidos no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorder (DSM) V: A - episódios recorrentes de compulsão alimentar: 1- ingestão em determinado período (ex. dentro de cada período de duas horas) de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria no mesmo período sob circunstâncias semelhantes e 2- sensação de falta de controlo sobre a ingestão durante um episódio; B - episódios de compulsão, que estão associados a três (ou mais) dos seguintes aspetos: i) comer mais rapidamente do que o normal; ii) comer até se sentir desconfortavelmente cheio; iii) comer grandes quantidades de alimento na ausência da sensação física de fome; iv) comer sozinho por vergonha do quanto está a comer; v) sentir-se desgostoso de si mesmo, deprimido ou muito culpado em seguida; C - sofrimento marcante em virtude da compulsão alimentar; D - episódios de compulsão alimentar que ocorrem, em média, ao menos uma vez por semana durante três meses; e E – compulsão alimentar que não está associada ao uso de comportamento compensatório inapropriado como na bulimia nervosa e não ocorre exclusivamente durante o curso de bulimia nervosa ou anorexia nervosa (American Psychiatric Association, 2014). Estas situações determinam um encaminhamento específico para especialistas nesta aérea como seja o enfermeiro especialista em enfermagem de saúde mental, o psicólogo ou mesmo o psiquiatra e no caso das crianças pedopsiquiatra.

 

Considerações Finais

Um regime alimentar variado e equilibrado é uma condição indispensável para a prevenção da obesidade e manutenção da saúde. Os alimentos rotulados fornecem informações necessárias para comparar produtos alimentares idênticos e de diferentes marcas, constituindo o conhecimento da leitura dos rótulos das embalagens, nomeadamente a lista de ingredientes e a informação nutricional um potencial indicador de escolhas de alimentos mais saudáveis. É necessário estimular os comportamentos no sentido de moderar o consumo de alimentos cujos primeiros ingredientes sejam gorduras, óleos, sal, e açúcar, cujo consumo continuado contribui para o aparecimento da obesidade.

São necessários esforços para aumentar a literacia da população sobre escolhas inteligentes e saudáveis do ponto de vista nutricional, indispensável para privilegiar um padrão alimentar característico da dieta mediterrânica. Assim, contribuímos para sensibilizar os professores para a correta avaliação do IMC nas crianças e jovens, para a importância de abordarem a leitura dos rótulos dos alimentos com os alunos. Colocamos à sua disposição um conjunto de informações sobre a etiologia da obesidade e as suas comorbilidades, necessárias para a compreensão das doenças associadas a uma alimentação incorreta, aumentando a conscientização sobre a importância de considerar as quantidades e porções dos alimentos, na perspetiva da prevenção da obesidade, promoção e investimento na saúde.

 

Referências

American Psychiatric Association. (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais – DSM-5 (5a ed.). Porto Alegre: Artmed.

Antunes, A., & Moreira, P. (2011). Prevalência de excesso de peso e obesidade em crianças e adolescentes portugueses. Acta Med Port, 24 (2), 279-284.

Bonsmann, S. S., Celemín, L. F., Grunert, K. G., & FLABEL Consortium. (2010). Food Labelling to Advance Better Education for Life (FLABEL). European Journal of Clinical Nutrition, 64, Suppl. 3, S14-S19. doi:10.1038/ejcn.2010.204

Brito, S. D., Viveiro, A. C., & Moleiro, P. (2014). Obesidade e sobrepeso numa amostra de adolescentes da cidade portuguesa de Leiria. Uma questão de curvas? Rev Port Endocrinol Diabetes Metabol., 9 (2), 116-121.

Candeias, V., Nunes, E., Morais, C., Cabral, M., & Silva, P. (2005a). Princípios para uma alimentação saudável. Lisboa: Direção-Geral da Saúde.

Candeias, V., Nunes, E., Morais, C., Cabral, M., & Silva, P. (2005b). Gorduras: Princípios para uma alimentação saudável. Lisboa: Direção-Geral da Saúde.

Candeias, V., Nunes, E., Morais, C., Cabral, M., & Silva, P. (2005c). Sal: Princípios para uma alimentação saudável. Lisboa: Direção-Geral da Saúde.

Carola, L., Delgado, M., & Duarte, A. (2011). Rotulagem: O seu guia para compreender melhor os rótulos alimentares [ebook]. Lisboa: Direção da Qualidade Alimentar. Sonae Investimentos, SGPS.

Cole, T., Bellizi, M., Flegal, K., & Dietz, B. (2000). Establishing a standard definition for child overweigh and obesity world-wide: International survey. British Medical Journal, 320 (7244), 1240-1243. doi:10.1136/bmj.320. 7244.1240

Decreto-Lei n.º 54/2010, de 28 de maio. Modifica os requisitos para a rotulagem nutricional dos géneros alimentícios, no que diz respeito às doses diárias recomendadas, aos factores de conversão de energia e às definições, procede à primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 167/2004, de 7 de Julho, e transpõe a Directiva n.º 2008/100/CE, da Comissão, de 28 de Outubro. Diário da República, 104. Série I.

Decreto-Lei n.º 560/99, de 18 de dezembro. Transpõe para a ordem jurídica interna a Diretiva n.º 97/4/CE, e a Diretiva n.º 1999/10/CE, relativa à aproximação das legislações dos Estados membros respeitantes à rotulagem, apresentação e publicidade dos géneros alimentícios destinados ao consumidor final. Diário da República, 293. Série I-A.

Direção-Geral da Saúde. (2005). Programa Nacional de Combate à Obesidade. Lisboa: Divisão de Doenças Genéticas, Crónicas e Geriátricas.

Direção-Geral da Saúde. (2013). Programa Nacional Saúde Infantil e Juvenil. Lisboa: DGS. Retirado de www.dgs.pt

Drichoutis, A. C., Nayga, J. R. M., & Lazaridis, P. (2009). Can nutritional label use influence body weight outcomes? Kyklos, 62 (4), 500-525. Retrieved from http://dx.doi.org/10.1111/j.1467-6435.2009.00448.x

Enes, C. C., & Slater, E. (2010). Obesidade na adolescência e seus principais fatores determinantes. Rev Bras Epidemiol, 13 (1), 163-171.

Ferreira, F., Mota, J. A., & Duarte, J. (2012). Prevalência de excesso de peso e obesidade em estudantes adolescentes do distrito de Castelo Branco: Um estudo centrado no índice de massa corporal, perímetro da cintura e percentagem de massa gorda. Rev Port Saúde Pública, 30 (1), 47-54.

Ferreira, J. S. (2010). Prevalência de obesidade infanto-juvenil: Associação com os hábitos alimentares, atividade física e comportamentos sedentários dos adolescentes escolarizados de Portugal Continental. Tese de doutoramento não publicada, Universidade Nova de Lisboa, Escola Nacional de Saúde Pública.

Graham, D. J., & Jeffery, R. W. (2011). Location, location, location. Eye-tracking evidence that consumers preferentially view prominently positioned nutrition information. Journal of the American Dietetic Association, 111 (11), 1704-1711. doi:10.1016/j.jand.2015.02.019 Graham, D. J., Heidrick, C., & Hodgin, K. (2015). Nutrition label viewing during a food-selection task: Front-of-package labels vs nutrition facts labels. J Acad Nutr Diet, S2212-2672. doi:10.1016/j.jand.2015.02.019

Grando, L. H., & Rolim, M. A. (2008). Assistência de enfermagem à pessoa com transtornos do comportamento alimentar: Anorexia e bulimia nervosas. In M. Stefanelli, I. M. K. Fukuda & E. C. Arantes (Orgs.), Enfermagem psiquiátrica em suas dimensões assistenciais (Cap. 31, pp. 561-580), Barueri, SP: Manole.

Gregório, M. J., Santos, M. C. T., Ferreira, S., & Graça, P. (2012). Alimentação inteligente: Coma melhor. Lisboa: Direção-Geral da Saúde. Hersey, J. C., Wohlgenant, K. C., Arsenault, J. E., Kosa, K. M., & Muth, M. K. (2013). Effects of front-of-package and shelf nutrition labeling systems on consumers. Nutr Rev., 71 (1), 1-14. doi:10.1111/nure.12000

Hieke, S., & Taylor, C. R. (2012). A critical review of the literature on nutritional labeling. Journal of Consumer Affairs, 46 (1), 120-156. doi:10.1111/j.1745-6606.2011.01219.x

Instituto do Consumidor. (2002). Guia para uma escolha alimentar saudável: A leitura do rótulo (2a ed.). Lisboa: Autor.

International Obesity Task Force. (2004). Childhood obesity report. London: Author.

McCann, M. T., Wallace, J. M., Robson, P. J., Rennie, K. L., McCaffrey, T. A., Welch, R. W., & Livingstone, M. B. (2013). Influence of nutrition labelling on food portion size consumption. Appetite, 65, 153-158. doi:10.1016/j.appet.2013.02.013 Miller, L. M., & Cassady, D. L. (2015).The effects of nutrition knowledge on food label use. A review of the literature. Appetite, 27 (92), 207-216. doi:10.1016/j.appet.2015.05.029

Norazmir, M. N., Norazlanshah, H., Naqieyah, N., & Anuar M. I. K. (2012). Understanding and use of food package nutrition label among educated young adults. Pakistan Journal of Nutrition, 11 (10), 934-940. doi:10.3923/pjn.2012.934.940

Nunes, M., Barros, R., Moreira, P., Moreira, A., & Almeida, M. M. (2012). Alergia alimentar. Lisboa: Ministério da Educação e Ciência, Ministério da Saúde.

Ollberding, N. J., Wolf,R. L., & Contento, I. (2010). Food label use and its relation to dietary intake among US adults. Journal of the American Dietetic Association, 110 (8), 1233-1237. doi:10.1016/j.jada.2010.05.007

Organização Mundial de Saúde. (2004). Obesidade. Prevenindo e controlando a epidemia global. São Paulo: Roca.

Regulamento (CE) n.º 1924/2006 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 20 de dezembro relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos. Jornal Oficial da União Europeia, L 12/3-L 12/18.

Rito, A., & Carmo, I. (2011). Crescimento infantil e juvenil. In A. Rito, J. Breda & I. Carmo (Coords.), Guia de avaliação do estado nutricional infantil e juvenil (pp. 7-9). Lisboa: Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Sousa, J., Loureiro, I., & Carmo, I. (2008). Obesidade infantil: Um problema emergente. Saúde e Tecnologia, 2, 5-15.

Teixeira, P., & Silva, M. (2009). Repensar o peso: Princípios e métodos testados para controlar o seu peso. Lisboa: Lidel.

Townsend, M. C. (2011). Enfermagem em saúde mental e psiquiátrica: Conceitos de cuidado na prática baseada na evidência (6a ed.). Loures: Lusociência.

US Food and Drug Administration. (2013). Food labeling, food. Designation of ingredients. Retrieved from http://www.fda.gov/Food/IngredientsPackaging Labeling/ LabelingNutrition/ucm202726.htm

World Health Organization. (2007). Prevalence of excess body weight and obesity in children and adolescents. Retrieved from http://www.euro.who. int/Document/EH/ENHIS_Factsheet_2_3.pdf

pdf icon