ISSN 2183 - 3990       

Saúde mental e a universidade: O papel das crenças, curso, género e mobilidade na ideação suicida

Saúde mental e a universidade: O papel das crenças, curso, género e mobilidade na ideação suicida

Mental health and the university: The role of beliefs, course, gender and mobility in suicidal ideation

 

 

Inês Viegas Cruz*1 https://orcid.org/0000-0003-2687-8746 Paula Alves* https://orcid.org/0000-0003-2895-3658 Bárbara Costa* https://orcid.org/0000-0003-2446-120X Catarina Sá* https://orcid.org/0000-0003-0496-909X Andreia Catarina Silva* https://orcid.org/0000-0002-9027-3461 José Lopes*2 http://orcid.org/0000-0002-6845-8371

* Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal

 

RESUMO

O suicídio é uma das principais causas de morte entre os estudantes universitários. É o objetivo do presente estudo perceber o efeito de variáveis sociodemográficas (género, área de estudos, estudante de mobilidade e influência das crenças religiosas/espirituais nos momentos adversos da vida) na prevalência de ideação suicida entre este grupo. A metodologia envolveu 320 estudantes com idades compreendidas entre os 17 e 48 anos de idade, de uma universidade do norte de Portugal, pertencentes a 11 cursos. Os participantes responderam a um questionário sociodemográfico e o Questionário de Ideação Suicida (QIS). A análise inferencial revelou que existe uma prevalência grande de risco de suicídio entre os estudantes de psicologia quando comparados com outros cursos. Pesquisas futuras são necessárias para que se mostre a importância da prestação de serviços de saúde mental dentro dos campus universitários.

Palavras-chave: estudantes universitários, ideação suicida, género, curso, mobilidade, crenças.

 

ABSTRACT

Suicide is one of the leading causes of death among college students. It is the objective of the present study to understand the effect of sociodemographic variables (gender, area of study, student mobility and influence of religious / spiritual beliefs in adverse moments of life) in the prevalence of suicidal ideation among this group. The methodology involved 320 students between 17 and 48 years old, from a university in the north of Portugal, belonging to 11 courses. Participants answered a sociodemographic questionnaire and the Suicidal Ideation Questionnaire (QIS). Inferential analysis revealed that there is a high prevalence of suicide ideation among psychology students when compared to other courses. Future research is needed to demonstrate the importance of delivering mental health services within college campuses.

Keywords: college students, suicide ideation, gender, course, mobility, beliefs.

 

 

INTRODUÇÃO

Em todo o mundo, por ano, cerca de um milhão de mortes é devido ao suicídio (Bridge, Horowitz, Fontanella, Grupp-Phelan, & Campo, 2014; Drum, Brownson, Denmark, & Smith, 2009; Dvorak, Lamis, & Malone, 2013; Haegerich et al., 2014). Pessoas jovens são cada vez mais vulneráveis a comportamentos suicidas (Sánches-Teruel, García-León, & Martínez, 2013). Dentro das pessoas jovens, um grupo particularmente vulnerável é o dos estudantes universitários (Mackenzie et al., 2011; O'Keefe, Tucker, Wingate, & Rasmussen, 2011). O ingresso no ensino superior é um acontecimento marcante na vida dos jovens que, comummente, coincide com um período do desenvolvimento psicossocial marcado por diversas mudanças importantes. É o período de explorações definido como a idade das possibilidades, sendo pautado por instabilidades e reconhecidamente a fase de desenvolvimento mais auto-focada: o jovem encontra-se num processo de transição complexo (Dyson & Renk, 2006; Osse & Costa, 2011).

A avaliação da American College Health Association (Wilcox et al., 2010) de 26685 estudantes, em 40 instituições de ensino superior, referiu que, nos últimos 12 meses, 1.3% dos estudantes universitários tentou o suicídio e 6.4% considerou ter pensamentos suicidas pelo menos uma vez no seu percurso académico. Arria e colaboradores (2009a) relataram que 6% de todos os alunos do primeiro ano apresentavam taxas de ideação suicida bastante elevadas. Estudantes do primeiro e segundo anos foram descritos como manifestando aproximadamente o dobro do risco de ideação suicida como acontece com os idosos (Gonzalez, Bradizza, & Collins, 2009).

O comportamento suicida é caracterizado como a preocupação, desejo ou ato que tem como objetivo gerar dano para o próprio sujeito, sendo que as ideias, desejos suicidas (ideação suicida), os comportamentos suicidas sem morte ou até mesmo os suicídios que foram consumados fazem parte deste quesito (Cremasco & Baptista, 2017).

A transição de viver com o agregado familiar para viver longe de casa representa uma mudança significativa para os estudantes universitários (Vizzotto, Jesus, & Martins, 2017). Para muitos, a experiência é vista como uma aventura estimulante, a nível social e intelectual. Para tantos outros alunos, a experiência é esmagadora e angustiante (Thurber & Walton, 2012). A entrada na faculdade tem sido entendida como um representar de desafios adaptativos, como ajustes físicos e sociais, processo de transição de um estado de dependência total para um estado de semidependência dos pais ou cuidadores (Richardson, Bergen, Martin, Roeger, & Allipson, 2005), exposição a um meio sociocultural que promove o abuso de álcool e outras substâncias, navegar em ambientes desconhecidos e outras pressões ambientais que favorecem a inadaptação, elevados custos das propinas, acumulação de dívidas devido às despesas decorrentes da estadia na nova cidade (Nyer et al., 2013; Tupler, Hong, Gibori, Blitchington, & Krishnan, 2015). Por outras palavras, é possível que a falta de suporte social ou de redes sociais possa levar a uma carga percetiva e pertença frustrada, o que, por sua vez, poderá levar a ideação suicida (Hollingsworth et al., 2017). A Teoria da Transição sugere que o apoio da família, amigos e das instituições pode mitigar o sofrimento associado à alteração nas rotinas e papéis que muitas vezes acompanham a mudança associada à entrada na faculdade (Hirsch & Barton, 2011). No entanto, vários estudantes com problemas de saúde mental, particularmente pensamentos suicdas, não procuram ajuda proveniente de fontes formais de suporte, tais como os serviços de aconselhamento das universidades ou serviços de saúde mental (Hunt & Eisenberg, 2010).

De acordo com este cenário, estudos observaram um aumento na prevalência de condições psiquiátricas ou o uso de medicamentos não prescritos entre os estudantes universitários ao longo do tempo (Eisenberg, Hunt, & Speer, 2013; Zullig & Divin, 2012). Tem-se verificado o aumento do consumo de antidepressivos, ansiolíticos para ansiedade, analgésicos para dor e estimulantes para perturbação de deficit de atenção, sendo que estes medicamentos são fáceis de obter através de conhecidos no campus universitário (Dennhardt & Murphy, 2013; Zullig & Divin, 2012). Aproximadamente 8% dos estudantes universitários foram identificados como consumidores de drogas (Arria, Vincent & Caldeira, 2009b). O uso indevido, o abuso e a dependência de substâncias aumentam substancialmente o risco de ideação suicida e a morte planeada e não planeada (Bulik et al., 2008).

Alguns estudos (Nock, 2009) mostraram a importância de certas variáveis (psicossociais e demográficas) como fatores de risco modeladores ou fatores de proteção em relação às tentativas de suicídio ou comportamentos suicidas neste grupo. Em particular, tendo em conta o género, foi sugerido que tanto a ideação suicida (Chien, Gau, & Gadow, 2011; Garlow et al., 2008; Pérez, Osnaya, & Clatempa, 2012) como a depressão (Richardson-Vejlgaard, Sher, Oquendo, Lizardi, & Stanley, 2009) são mais frequentes em estudantes universitárias femininas do que nos seus pares masculinos. Todavia, é importante notar que algumas investigações sugerem que os estudantes universitários estão em risco reduzido de suicídio quando comparados aos colegas que não frequentam a universidade, possivelmente devido ao aumento da disponibilidade de recursos de apoio na estrutura da faculdade (Schwartz, 2006). Os resultados de Tupler e colaboradores (2015) mostram ainda que maiores níveis de suporte emocional eram percecionados em estudantes sem pensamentos suicidas. Uma interpretação para este resultado é a de que estudantes com maiores níveis de suporte emocional percecionado colocam mais capacidades sociais adequadas em prática, criando, desta forma, laços emocionais mais próximos com colegas e amigos. Estas redes sociais funcionam como alarmes de aviso efetivos, especialmente nas primeiras fases do comportamento suicida (ideação).

Investigações também têm sido feitas para estudar a possível influência da área de estudos, como fator de risco ou de proteção, na ideação suicida. Uma das populações mais estudadas acerca desta temática tem sido os estudantes de medicina. Um estudo mostrou que de entre 152 alunos que participaram de uma investigação, 25% já tinham pensado em se matar, além da presença de estados depressivos (Dutra, 2012). Outro grupo de estudantes que merece atenção são os do curso de Psicologia. Num estudo realizado em duas universidades do Brasil, entre 637 alunos, 52.5% disseram que sentiam vontade de morrer e 7.5% do total já se tinham tentado matar (Dutra, 2012).

Dentro da literatura da ideação suicida, o vínculo entre religiosidade e/ou espiritualidade e pensamentos/ comportamentos autolesivos tem levantado algumas perguntas de investigação, especialmente quando se verifica que a espiritualidade e religiosidade têm sido vistas como relacionadas ao maior bem-estar psicológico em estudantes universitários (Burris, Brechting, Salsman, & Carlson, 2009). O estudo clássico de Richards (1991) demonstrou um efeito principal para a religiosidade intrínseca na diminuição da depressão entre estudantes universitários. Além disso, verificou que os estudantes que pontuavam mais alto a importância da religião nas suas vidas demonstraram menos ansiedade em relação à separação dos pais aquando da entrada na universidade em oposição aos estudantes não religiosos. Uma proporção substancial da população dos Estados Unidos da América afirmou que a religião desempenha um papel significativo nas suas vidas diárias e uma grande percentagem de pessoas acredita que os valores religiosos e espirituais devem ser discutidos em terapia quando apropriado (Johnson & Hayes, 2003; Rew & Wong, 2006).

Os estudantes universitários enfrentam vários desafios, como gerenciar tempo e o stress, ter sucesso académico, desenvolver um senso de identidade e tomar decisões de carreira. Como resultado dos múltiplos stressores experimentados por estudantes universitários, eles podem buscar conforto nas suas crenças e práticas religiosas e espirituais (Unterrainer & Fink, 2014).

Assim, é o objetivo do presente estudo empírico avaliar a prevalência de ideação suicida em estudantes universitários.

 

Método

Hipóteses

Prevê-se que a prevalência de pensamentos suicida será:

H1: superior no sexo feminino comparativamente ao masculino.

H2: superior em estudantes que deixaram as suas casas e transferiram-se para outra cidade em comparação aos que não mudaram de residência de origem para estudar.

H3: superior em estudantes do curso de psicologia em comparação com os restantes cursos.

H4: menor em alunos com maiores níveis de crenças religiosas e/ou espirituais comparativamente aos estudantes não religiosos/espirituais.

 

Participantes

Participaram 320 estudantes universitários, de uma Universidade Pública do Norte de Portugal, com idades compreendidas entre os 17 e 48 anos de idade (M= 19.9; DP= 3.5), sendo 244 do género feminino (76.3%) e 76 do género masculino (23.8%), de 11 cursos. Os cursos foram agrupados em temáticas de estudo: Agrupamento 1 (Economia, Gestão e Turismo), Agrupamento 2 (Psicologia, Serviço Social, Educação Básica) e Agrupamento 3 (Teatro e Artes Performativas, Animação Cultural e Comunitária; Ciências da Comunicação; Línguas e Relações Empresariais; Línguas, Literaturas e Culturas) (cf. Tabela 1)

 

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No que respeita à caracterização sociodemográfica dos participantes, a maioria dos estudantes são solteiros (98.1%). Relativamente às habilitações académicas, 308 (96.3%) possuem o ensino secundário, e 12 têm licenciatura (3.8%). Quanto à mobilidade do estudante, verificou-se que, do total estudado, 256 (80%) mudaram de residência de origem para estudar. Entre os que se mudaram, a maior parcela partilha residência com os colegas (87.8%) e os restantes (12.2%) vivem sós durante o tempo de aulas.

No que se refere às crenças em relação a Deus, verifica-se que o maior número 133 (41.6%) sempre acreditou na Sua existência. Na generalidade da amostra, 158 (49.4%) não concorda que as suas crenças espirituais/ religiosas possam dar sentido à sua vida. No entanto, 121 (37.8%) considera importante as crenças para superar os momentos adversos da vida.

 

Material

Questionário Sociodemográfico. Construído para o efeito de caracterização da população alvo, do qual fizeram parte as variáveis: idade, sexo, estado civil, escolaridade, estudante de mobilidade, crença em Deus, influência das crenças espirituais/ religiosas no sentido da vida e nos momentos difíceis.

Suicide Ideation Questionnaire. Questionário de Ideação Suicida (QIS)- título da versão portuguesa- é um dos instrumentos de autoadministração mais utilizados na prática clínica para caracterizar a severidade dos pensamentos suicidas nos adolescentes e adultos, avaliando, hierarquicamente, os pensamentos entre pouco e muito graves. O QIS é um questionário de autorresposta com 30 itens, respondidos numa escala de sete pontos entre o pensamento nunca ocorreu (0) e o pensamento ocorreu todos os dias (6). Para propósitos de pontuação, os 30 itens são classificados entre zero e seis (direção patológica), sendo a pontuação máxima de 180. Considera-se o valor de 41 como o valor limite a partir do qual existe potencial risco de suicídio. A média global obtida pelos autores numa população não clínica foi de 21.3 e desvio padrão 23.9. Relativamente à consistência interna do instrumento, estudos psicométricos efetuados para a população portuguesa revelaram um coeficiente alfa de Cronbach de 0.96. No que diz respeito à estabilidade temporal foram realizadas duas aplicações, com intervalo de um mês entre as duas, obtendo-se um coeficiente de correlação de 0.76 (Ferreira & Castela, 1999).


Procedimento

Na primeira fase da investigação foi realizada uma pesquisa bibliográfica em revistas e jornais científicos de base de dados fidedignas acerca do tema central selecionado. Em seguimento, foi concretizada a seleção dos instrumentos a serem usados para a recolha de dados tendo em consideração o cariz científico dos mesmos. Após a análise do estado de arte do tema e a seleção dos instrumentos para recolha de dados, procedeu-se à elaboração do desenho da investigação (formulação do objetivo e hipóteses em estudo e definição da amostra).

Numa fase posterior, todos os procedimentos para a aplicação do estudo tiveram em consideração os pressupostos éticos subjacentes à prática investigativa. A recolha dos dados, efetuada entre 4 de dezembro a 13 de dezembro de 2017, pautou-se pelo respeito e salvaguarda do anonimato e confidencialidade dos dados dos participantes. Destaca-se que precedente à aplicação foi realizado um pré-teste a 5 alunos com a finalidade de confirmar se, estruturalmente e semanticamente, o protocolo se encontrava compreensível, bem como de calcular o tempo necessário para o seu preenchimento, o qual se contabilizou em cerca de 10 minutos. O primeiro procedimento consistiu no pedido de autorização ao professor regente da unidade curricular respetiva a cada um dos 11 cursos para ceder 10/15 minutos da aula com vista a participação dos alunos na investigação. Depois de concedida a autorização dos professores, avançou-se com a recolha de dados em sala de aula. Previamente à participação dos sujeitos na investigação foi solicitado que assinassem o consentimento informado (ver anexo 3), no qual foram informadas sobre o objetivo do estudo, procedimentos e esclarecimento de possíveis dúvidas. Ainda foram esclarecidos acerca do direito em declinar a participação e/ ou cessar a participação em qualquer momento do preenchimento, bem como a importância do completo preenchimento dos questionários. Os questionários foram preenchidos pela seguinte ordem: (1) Consentimento Informado (2) Questionário Sociodemográfico (3) Questionário de Ideação Suicida. Cada questionário foi codificado após o preenchimento de forma a garantir a confidencialidade dos dados.

Seguidamente à recolha de dados, estes foram introduzidos e analisados pelo programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS)- versão 25, onde se realizaram diversos procedimentos estatísticos para a caracterização dos participantes, tais como a análise descritiva e análise correlacional.

Procedeu-se à análise dos dados recolhidos, nomeadamente testar a normalidade com recurso a valores dos coeficientes de assimetria (Skewness) e achatamento (Kurtosis). A homogeneidade das variâncias foi testada pelo Teste de Levene. Neste sentido, os dois pressupostos enunciados apenas se verificaram em três variáveis sendo utlizado, para a análise de variância, o teste paramétrico ANOVA Oneway. Para a análise da quarta variável aplicou-se um teste não paramétrico, Kruskal- Wallis. Tendo em consideração que o Kruskal-Wallis mostrou existirem diferenças entre os grupos, foram realizados o teste Games- Howell para identificar os pares de grupos com diferenças estaticamente significativas.


Resultados

Análise descritiva.

Diferença da consistência interna.

Analisadas as propriedades psicométricas do instrumento (QIS), de acordo com a amostra estudada na presente investigação, este apresenta boas capacidades psicométricas no que diz respeito à fidelidade do instrumento, tendo sido obtido um alfa de Cronbach de 0.965.

Caracterização da intensidade da ideação suicida nos estudantes universitários.

Tendo por base a pontuação obtida pelos sujeitos no QIS, as respostas variaram entre um mínimo de 0 e um máximo de 174 pontos, tendo-se obtido uma média com níveis baixos de ideação suicida (M=31.1; DP= 32.3).

Tomando como referência o valor de 41 pontos, apresentando como o valor limite a partir do qual existe potencial risco de suicídio, nesta amostra 95 participantes (29.7%) situavam-se acima deste ponto de corte.

Realizando uma análise mais detalhada sobre as respostas ao QIS, verificou-se as seguintes distribuições de médias (cf. Tabela 2).


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Analisando as médias das pontuações obtidas, no que concerne à diferença entre o Agrupamento 1 (M=22.7; DP= 28.3) e Agrupamento 3 (M=24.5; DP= 27.5) não existem diferenças significativas na intensidade de pensamentos suicidas. Comparando o Agrupamento 1 (apresenta níveis baixos de pensamentos suicidas) com o Agrupamento 2 (M=40.6; DP= 34.9), o primeiro grupo possui valores médios de ideação suicida inferiores com a magnitude de diferença média (t=4.043; p=.000; d de Cohen=.57), ou seja, em termos clínicos e estatísticos a diferença entre os grupos poderá ser significativa.

Atentando aos resultados obtidos pelos sujeitos que pertencem ao Agrupamento 2 no QIS, verifica-se que em média, os estudantes do curso de Psicologia apresentam uma pontuação média que pode ser indicativa de significativa psicopatologia e de potencial risco de suicídio (M=47.5; DP= 36.7) comparativamente ao curso de Serviço Social (M=22.8; DP= 23.8) e Educação Básica (M=23.9; DP= 24.7). Sendo que dos 102 participantes do curso de Psicologia, 55 (53.9%) apresentam pontuações com um potencial para risco de suicídio.


Análise inferencial

Variável género, estudante deslocado e importância das crenças espirituais/ religiosas nos momentos difíceis na ideação suicida na ideação suicida

Com o recurso ao Teste ANOVA Oneway, verificou-se que não existem diferenças estatisticamente significativas, F(1,318)= 1.057, p=.305 (p >.05), relativamente ao género no que concerne à variável ideação suicida (cf. Tabela 3). Encontrou-se ainda uma magnitude da diferença baixa (d de Cohen=.07). Verificou-se, através da na análise das pontuações no QIS, que as mulheres (M=32.2; DP= 32.9) apresentam mais ideação suicida comparativamente aos homens (M=27.8; DP=29.9).

No sentido de analisar as diferenças entre a variável estudante deslocado em relação à ideação suicida verificou-se, através do teste ANOVA Oneway, que não existem diferenças estatisticamente significativas, F(1,318) =1.179, p=.278 (p > .05) (cf. Tabela 3). A magnitude de diferença encontrada é baixa (d de Cohen=.15). Verificou-se ainda que os estudantes deslocados (M=32.2; DP=32.9) apresentam pontuações mais elevadas do que os estudantes não deslocados (M=27.4; DP=29.7).

É possível concluir, com o recurso ao teste estatístico ANOVA Oneway, que não existem diferenças significativas entre a influências das crenças espirituais/ religiosas nos momentos difíceis e os pensamentos suicidas, F(3,316)=1.229, p=.299 (p > .05) (cf. Tabela 3). Verificou-se ainda que os estudantes universitários que não consideram as crenças espirituais/ religiosas importantes nos momentos difíceis apresentaram pontuações mais elevadas no risco de cometerem suicido (M=35.4; DP=33.4) em relação aos estudantes que as consideram como parte importante para superar as adversidades da vida (M= 24.4; DP= 25.8).

Tabela 3.

Diferenças em relação à ideação suicida em função do variável género, mobilidade e crenças espirituais/religiosas (ANOVA Oneway)


Variável área de estudo na ideação suicida

É possível concluir, através do teste não paramétrico Kruskal-Wallis, que existem diferenças estatisticamente significativas entre a área de estudo dos estudantes e ideação suicida (c2=20.298; p=.000 < .05) (cf. Tabela 4). O teste Games- Howell levou a concluir que existem diferenças estatisticamente significativas entre os estudantes do Agrupamento 2 e Agrupamento 1 (p=.000 < .05) e entre o Agrupamento 3 e o Agrupamento 2 (p=.000 < .05).

 

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Análise correlacional

Na presente investigação procurou-se analisar a relação entre as variáveis sociodemográficas e pontuação obtida no QIS. Para concretização da respetiva análise utilizou-se as análises de correlação de Pearson (r de Pearson) com a finalidade de medir a associação entre as diferentes variáveis sociodemográficas e a ideação suicida. Assim, as análises indicam a magnitude e a direção da associação entre duas variáveis. Deste modo, pode-se concluir, para o nível de significância de .05, que não há evidências conclusivas sobre a significância da ideação suicida e género (r=-.058, p=.305), estudante deslocado (r=-.061, p=.278) e importância das crenças espirituais/ religiosas nos momentos adversos da vida (r=-.078, p=.165). No entanto, verificou-se uma correlação negativa fraca entre a área de estudos e a pontuação obtida no QIS (r=-.230, p=.000).

 

Discussão

O principal objetivo do presente estudo é examinar a prevalência da ideação suicida em jovens universitários. Assim, e através da análise dos resultados, podemos concluir que os dados recolhidos vão de encontro, em parte, à literatura encontrada.

Para algumas pessoas, em determinados momentos da vida, pensam na morte como o único caminho para uma situação intolerável, parecendo a única solução possível. No entanto, e de um modo geral, verificou-se que uma grande percentagem dos participantes pontuou, de modo extremado, a questão “Pensei na morte”. Isto mostra que pensar e refletir acerca do fim da vida “revela a perplexidade do homem perante a morte” (Guerreiro, 2014). O mistério acerca da morte estimula a reflexão e a apresentação de explicações “racionais” para o seu significado e o seu sentido. Isto significa que pensar na morte não é uma condição exclusiva dos participantes que se situavam acima do ponto de corte, mas sim um pensamento recorrente também na população normativa.

Em relação à primeira hipótese, esperávamos níveis mais elevados (extremados ou não) de ideação suicida no sexo feminino comparativamente ao masculino. As diferenças encontradas entre estes dois grupos não foram estatisticamente significativas. Não se ter verificado diferenças entre os grupos pode ficar a dever-se à questão de não se ter um número equilibrado entre género masculino e género feminino. A literatura, em geral, aponta para o facto de a ideação suicida ou tentativas de suicídio serem mais comuns nas populações femininas do que nas populações masculinas, independentemente de estarem ou não na faculdade (Pereira & Cardoso, 2015; Wolford- Clevenger, Van, & Smith, 2016). Todavia, não termos encontrado diferenças significativas na pontuação vai de encontro com diversos estudos que acreditam que apesar de ser amplamente aceite que o género feminino expressa uma maior prevalência de pensamentos suicidas, também é possível sugerir que não há diferenças entre os dois grupos (Einsberg, Gollust, Golberstein, & Hefner, 2007; Eskin et al., 2016).

No que concerne à segunda hipótese- a prevalência de ideação suicida é maior em estudantes deslocados em relação aos estudantes que não mudaram de residência para estudar- não foi comprovada. Tais resultados podem ter sido obtidos porque na sua grande maioria, cerca de 87.8% dos estudantes vivem acompanhados (residência secundária). Isto pode querer dizer que uma boa rede de relações pode servir de fator protetor para a atenuação do sofrimento associado à alteração das rotinas aquando da entrada na faculdade. Ou seja, quando o apoio social adequado, parental e institucional está disponível, os estudantes universitários parecem receber uma série de benefícios académicos e de saúde mental, incluindo melhorias no enfrentamento e adaptação ao ensino superior, maior probabilidade de compromisso e resiliência. De acordo com o estudo de Eskin e colaboradores (2016), a aceitação do suicídio pelo estudante universitário está inversamente correlacionada com a rede social de apoio, inclui amigos, instituição, familiares, que ele possui.

Relativamente à terceira hipótese- prevalência de pensamentos suicidas é superior em estudantes do curso de psicologia em relação aos restantes cursos- verificou-se a hipótese. Um estudo recente realizado na mesma universidade onde se realizou o presente estudo verificou que os cursos de Ciências Humanas e Sociais apresentaram maior prevalência de ideação suicida comparativamente com os restantes cursos da Universidade. Os autores consideraram que tais diferenças na prevalência do suicídio entre os diferentes cursos se deve ao resultado da satisfação com a universidade, curso, relação entre pares ou por outras variáveis, como se preocupar com a carreira profissional e o desemprego (Pereira & Cardoso, 2015), o que é um problema significativo para os jovens adultos portugueses. Outro estudo verificou que existe uma grande vulnerabilidade dos estudantes do curso de Psicologia a eventos potencialmente geradores de stress e podendo levar ao aumento de pensamentos suicidas (Bonifácio, Silva, Montesano, & Padovani, 2011). O estudo verificou que os estudantes de psicologia demonstraram uma grande sensação de esgotamento mental, preocupação excessiva, alteração do sono e da alimentação e desânimo provocados pela sobrecarga excessiva de carga horária e matéria.

Respeitante à quarta hipótese- prevalência de pensamentos suicidas é superior em estuantes não religiosos/ espirituais em relação aos estudantes que pontuam altos níveis de crenças- não se encontrou diferenças significativas na pontuação dos estudantes. Todavia, pela análise das pontuações médias entre estes dois grupos, os estudantes com baixos níveis de crenças apresentaram resultados mais elevados na propensão ao suicídio. Estes resultados vão ao encontro do estudo de Longo e Kim-Spoon (2012) que concluíram que a religiosidade e/ou espiritualidade não são fatores de proteção universal contra a ideação suicida quando os estudantes universitários enfrentava a saída de casa para estudar noutra cidade. Os dados dos investigadores sugeriram que a religião e a espiritualidade desempenham um papel importante para os estudantes com menor apego ao lar, na medida em que podem buscar mais conforto e apoio na religião, enquanto que aqueles com maior apego a casa podem buscar conforto e apoio a outras redes sociais, como familiares e amigos- que foi verificado na hipótese dois.

A principal limitação enfrentada na presente investigação é a nossa amostra ser limitada aos alunos de uma única universidade portuguesa, o que pode afetar a generalização para outros estudantes universitários, bem como para jovens adultos que não frequentam o ensino superior. O viés de seleção dos participantes é possível porque o recrutamento foi limitado, em primeiro lugar, a uma das inúmeras escolas que compõem a Universidade em questão, e, em segundo lugar, selecionamos as turmas a que queríamos recolher os dados. Além disto, a avaliação da persistência de pensamentos suicidas através de uma única escala não identifica a intensidade dos mesmos e também pode capturar respostas que não é necessariamente reflitam ideação suicida. Outra limitação relaciona-se com a procura de bibliografia acerca das crenças religiosas/ espirituais. Pouquíssimos estudos responderam aos nossos critérios envolvendo o estudo empírico das relações entre a saúde mental e a influência das crenças religiosas e espirituais nos jovens universitários.

Em função dos resultados obtidos no presente estudo empírico, defendemos a continuidade do estudo da saúde psicológica dos estudantes, tanto pela natureza investigativa da identificação de fatores que se associam às mudanças na vida do jovem estudante como pelas fontes stressoras que na vida académica parecem ter lugar e, deste modo, aumentar o conhecimento dos profissionais de saúde que trabalham nas configurações de saúde mental do campus universitário.


Referências

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Bridge, J. A., Horowitz, L. M., Fontanella, C. A., Grupp-Phelan, J., & Campo, J. V. (2014). Prioritizing research to reduce youth suicide and suicidal behavior. American Journal of Preventive Medicine, 47(3), 229-234. doi:10.1016/j.amepre.2014.06.001

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